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QUALIDADE DE VIDA

Ranking mostra perfil de Gaspar quanto à longevidade dos seus habitantes

IDL aponta para a necessidade da cidade evoluir mais quando o assunto é cuidados com a terceira idade

ALEXANDRE MELO/jornalismo3@jornalmetas.com.br



Um indicador elaborado pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, entidade sem fins lucrativos, mostra que Gaspar precisa evoluir nos cuidados e atenção à população da terceira idade. O ranking classificou o município na 179ª posição entre 596 cidades analisadas com melhores condições de longevidade da população. Gaspar ficou atrás de cidades como Brusque, Itajaí, Blumenau e Navegantes.

O chamado Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL) é um indicador de avaliação sobre a qualidade de vida e longevidade no Brasil. O estudo considera dimensões como cuidados de saúde, bem-estar, finanças, habitação, educação e cultura, além de indicadores gerais de desemprego, expectativa de vida e violência.

A pesquisa 2020 selecionou as mil cidades mais populosas do Brasil e as separou em dois grupos: as 300 maiores e as 700 menores. Devido à falta de dados disponíveis para as análises comparativas, o número de cidades avaliadas caiu de mil para 876, sendo 280 cidades maiores e 596 menores, neste segundo grupo se encaixa Gaspar. Para cada grupo foi elaborado um ranking e o resultado mostra que, em ambos os casos, as dez primeiras posições são ocupadas majoritariamente por cidades paulistas.

Grandes cidades

Entre as cidades catarinenses, a melhor colocada no grupo "grandes cidades" é Florianópolis, que aparece na 5ª posição entre as 280 pesquisadas. Blumenau também é destaque com a 25ª posição, seguida de Balneário Camboriú em 26ª. Outras cidades que se destacaram no IDL são Tubarão: 32ª; Itajaí: 41ª, São José: 59ª, Criciúma: 68ª e Brusque: 88ª. Joinville, a maior cidade do Estado, é apenas a 95ª. Já no ranking regionalizado, que abrange os três estados do Sul, Santa Catarina tem cinco cidades entre as dez primeiras.

Grupo pequenas cidades

No grupo das cidades consideradas pequenas, Concórdia é a catarinense melhor colocada, com a 22ª posição entre as 596 pesquisadas em todo o Brasil. Rio do Sul aparece em seguida na 31ª colocação. Depois, a cidade catarinense melhor colocada é São Bento do Sul: 101ª posição. O ranking revela que as cidades gaúchas de pequeno porte predominam nas primeiras posições quando se avalia apenas a Região Sul.

Gaspar

Entre os sete itens avaliados para a formação do ranking do IDL, Gaspar recuou em seis deles em relação ao levantamento anterior, em 2017. A melhora foi apenas na variável  Educação e Trabalho, que revela o ambiente oferecido pela cidade para atender às demandas de educação, bem como o potencial de oferecer possibilidade de atuação profissional aos seus habitantes, principalmente da terceira idade. Já a variável Indicadores Gerais, que reflete a capacidade do município de atender a demandas como distribuição de renda, índices de violência, trânsito, desemprego e expectativa de vida, Gaspar foi bem avaliada, embora tenha recuado de 100 pontos para 95. Já os dois piores desempenhos foram nas áreas da Saúde e da Habitação. (acesse aqui as informações de Gaspar)

Outros dois rankings

O levantamento do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon permitiu ainda classificar as cidades, que participaram do estudo, em dois outros rankings: um para pessoas com idade entre 60 e 75 anos e outro para as pessoas acima dos 75 anos. No primeiro caso, Gaspar pula para a 174ª. Já para o IDL de pessoas acima de 75 anos, o município se classifica na 172ª. Essas diferenças são contempladas por meio da ponderação dos dados para esses dois subgrupos. Por exemplo: para aqueles com 75 anos ou mais, atribuiu-se maior peso a fatores representados pelos indicadores relativos a Indicadores gerais (tendo em vista a alta correlação identificada entre essa variável e as demais), enquanto o IDL dedicado aos indivíduos com idade entre 65 e 75 anos concentra-se mais fortemente no estilo de vida ativo e nas oportunidades econômicas disponíveis na cidade.

O IDL utiliza os dados publicamente disponíveis oriundos de fontes oficiais, preferencialmente. Assim, os dados foram coletados em órgãos públicos, tais como Agência Nacional de Saúde (ANS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério das Comunicações, Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Ministério da Fazenda, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Tesouro Nacional; em instituições acreditadas como Fundação Getulio Vargas (FGV), Pnud; e demais organizações do meio privado, como Serviço Nacional do Comércio, e Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

O diretor executivo do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, Henrique Noya, observa que as cidades mais bem posicionadas da lista não necessariamente são as que têm mais dinheiro disponível para investir. "Passa por uma questão de bom uso dos recursos, mas também pelo foco por naquilo que a gente considera importante para promover qualidade de vida", afirma ele, que pondera que algumas cidades podem ser consideradas bons exemplos em alguma dimensão específica, apesar de terem uma colocação menos destacada no ranking geral: "Não existe uma cidade perfeita nos sete indicadores. Elas sempre têm alguma coisa para melhorar em algum ângulo", argumentou.

Henrique Noya lembra que o envelhecimento populacional é uma realidade no país e defende que o tema esteja presente nas eleições municipais deste ano. "É muito importante levar essa questão da mudança demográfica para todos os palanques. Na verdade, a gente vive em cidades e não no país. O núcleo principal da nossa vida é a cidade em que a gente vive", afirma ele. "Uma cidade que está preparada para oferecer qualidade vida a uma população com mais idade, está muito preparada para oferecer isso a qualquer idade".







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