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GASPAR: Aqui não deveria ter aula

26 Novembro 2012 11:09:00

Alunos da Educação Infantil da Angélica Costa estudam em um local improvisado

GIOVANNI RAMOS
gaspar

 No fundos da igreja São Sebastião, no bairro Margem Esquerda, existe um galpão com telhado de eternit e apenas quatro ventiladores no salão principal. Logo na entrada, uma cozinha e mesas compridas de madeira. Ao fundo, duas pequenas salas com dois ventiladores em cada. Salão de festas da comunidade? Não. A estrutura é de uma escola da rede municipal de Gaspar. As duas turmas da Educação Infantil da Escola Angélica Costa estudam nestas condições.

São 34 alunos em uma estrutura precária, que funciona de forma improvisada desde fevereiro de 2009. Antes, o endereço da escola era o bairro Sertão Verde, próximo ao centro comunitário. Porém, a escola foi destruída na catástrofe climática de 2008. Ninguém ficou ferido, porém os alunos acabaram transferidos para a Comunidade São Sebastião. No começo de 2009, as turmas do Ensino Fundamental passaram a ter aulas na Escola Norma Mônica Sabel, no  Margem Esquerda.
 
A professora Bernadete Cipriani dava aulas na Angélica Costa em 2008 e continua lecionando na escola. Ela recorda da tragédia e dos primeiros dias na Comunidade São Sebastião. “Carteiras amontadas em uma sala minúscula. Um cheiro de mofo, a umidade. Foi horrível. Eu tinha um aluno que olhava para o morro e dizia ‘Professora, vai cair’. Até hoje, eles estão traumatizados. Em qualquer chuva muito forte, as crianças já pensam na situação do Sertão Verde”, revela.
 
Quatro anos após a tragédia, a Angélica Costa continua sem sede própria e os alunos divididos entre a Norma Mônica Sabel e o salão da São Sebastião. O projeto de construir um prédio novo, junto ao loteamento criado para os desabrigados nas margens da BR-470 ainda não saiu do papel e enfrenta resistências da comunidade. 
Um ônibus leva e busca os alunos do Sertão Verde nos dois locais. A aposentada Maria Etel prefere buscar a neta, que estuda no Ensino Infantil, a pé. Ela sai de sua casa, na entrada do bairro, e caminha pela margem da rodovia. “O problema não é a estrutura do galpão, e sim a distância. Se for para fazer no novo loteamento, que façam em um lugar bom”, declara.
 
Diretor da Norma Mônica Sabel e da Angélica Costa, Juliano Ediney Gehrke revela que muitos pais são contrários à construção da escola no novo loteamento. “Eles dizem que se a escola for para o novo loteamento, eles vão querer manter os filhos na Norma. Até porque, a maioria dos alunos mora no Sertão Verde”, comenta o diretor.
A presidente da Associação de Moradores do Sertão Verde, Fátima Garbin, conta que a comunidade aguarda um desfecho da parceria da Prefeitura com a Fundação Bunge. “Estamos esperando pela obra. A estrutura da Norma é boa, mas os pais preferem que ela fique mais próxima”, declara.
 
União das escolas
 
Eleito para ser diretor da Norma Mônica Sabel, Juliano Ediney Gehrke foi convidado no começo deste ano pelo secretário de Educação, Neivaldo Silva, para ser também o diretor da Angélica Costa. Desde então, ele procura integrar todos os serviços para que não haja diferenças para os alunos.
 
“A única coisa separada é a secretaria. Nas demais situações, os professores, os eventos, a biblioteca, a sala de informática, tudo é compartilhado, e organizado pelas duas escolas. Até as APPs (Associação de Pais e Professores) estão trabalhando em parceria”, conclui.
 
Secretário diz que nova escola  será construída em 2013
 
A nova sede da Escola Angélica Costa será construída em 2013. Quem garante é o secretário de Educação, Neivaldo Silva. Segundo ele, a Prefeitura possui uma parceria com a Fundação Bunge que prevê a construção da unidade de ensino no Margem Esquerda, junto ao novo loteamento criado para os atingidos pela catástrofe.
 
“A intenção inicial era construir primeiro o loteamento, depois a escola. Houve atraso, mas a Prefeitura já levou a proposta de começar a obra no começo de 2013. Caso o acordo com a Fundação não continue, a prefeitura construirá com os próprios recursos”, declara o secretário.
 
Sobre a infraestrutura precária para os alunos do Ensino Infantil e do desinteresse dos moradores em a escola ser construída no novo loteamento, Silva admite que o galpão da igreja não é o ideal, mas apoia o novo terreno. “Não há como fazer a Angélica Costa novamente no Sertão Verde. Os laudos técnicos apontam que não há um terreno seguro na localidade. Eu entendo o pedido dos moradores, assim como as reclamações do espaço junto à igreja. Mas estamos buscando um prédio ideal, moderno e sustentável”, garante.

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