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VOCAÇÃO

Frei Evaristo Spengler é ordenado bispo

06 Agosto 2016 12:44:27

Cerimônia foi realizada na manhã deste sábado (6), na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo

Kássia Dalmagro - jornalismo2@jornalmetas.com.br
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Foto: Ivan Luchtemberg/Jornal Metas
Bispo Dom Evaristo Spengler foi ordenado neste sábado (6)

A Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, no Centro de Gaspar, ficou lotada de fiéis na manhã de sábado (6). A comunidade compareceu em grande número para prestigiar a cerimônia de ordenação episcopal do quinto bispo gasparense. Frei Evaristo Spengler, 57 anos, foi ordenado pelo Papa Francisco bispo da Prelazia de Marajó, no Pará. O momento foi de muita fé, emoção e homenagens. "Agradeço primeiramente a Deus por sua bondade e amor e por ter me escolhido frade menor, sacerdote e agora pastor da igreja de Marajó. Confesso que nunca almejei tornar-me bispo, mas hoje recebo esta nomeação com muita alegria no coração e com esta nova missão a mim confiada", ressalta Dom Evaristo Spengler. Ao ser indagado como irá agir o quinto bispo gasparense, o religioso foi simples. "Continuarei a ser um frade menor. Quero estar caminhando com o povo de Marajó, quero poder somar na sua evangelização, nas ações sociais e na busca pela vida naquela ilha", acentuou. O bispo aproveitou a oportunidade para também agradecer a família. "O que sou hoje devo aos ensinamentos dos meus pais e de meus irmãos. Minha família sempre foi muito simples e religiosa e me ensinou a nunca querer ser mais do que os outros", destacou.

O irmão mais velho do bispo, Aloir Arno Spengler, falou por seus pais, Victória Gertrudes e José Arno Spengler, já falecidos. "Se eles estivessem aqui hoje certamente estariam sentindo muito orgulho e alegria. Foi um momento único, muito emocionante para toda nossa família", disse. Mesmo longe de Gaspar, Aloir garantiu que o bispo Evaristo receberá todo o apoio necessário na sua nova missão. "Uma das formas de apoiarmos é pela oração, pois sabemos que a fé move montanhas. O bispo também irá precisar de ajuda material e técnica. Ele me pediu o apoio de um técnico, que possa ir até Marajó ajudar as prefeituras na elaboração de projetos em áreas como saúde e educação. Eu me comprometi em articular a ida de um profissional até lá", revelou Aloir.

A cerimônia de ordenação do bispo Dom Evaristo foi marcada por homenagens. Ele recebeu o carinho dos padres de Marajó e da paróquia São Pedro Apóstolo, de Gaspar. Também foi agraciado pela comunidade da baixada Fluminense, no Rio de Janeiro (RJ), onde o religioso trabalhou por muitos anos. O bispo recebeu um par de chinelos, velas e uma bíblia. Muito emocionada, uma das voluntárias que conviveu com Dom Evaristo na paróquia carioca Santa Clara de Assis, Lindalva Maria Frazão, de 60 anos, explicou o gesto. "Oferecemos o par de sandálias para representar a caminhada dele junto aos pobres. As velas são para iluminar esta trajetória. Dom Evaristo merece todo este respeito e carinho, ele sempre foi muito querido por todos nós", emociona-se.  

Padre José Antônio Vasconcelos Farias, vigário geral da Prelazia, presente à cerimônia acompanhado de outros 13 padres da ilha, falou sobre a expectativa da chegada do bispo Dom Evaristo a Marajó. "Não conhecíamos o frei e, por isso, a notícia de que ele viria para Marajó foi uma surpresa para nós. Mas, após sua nomeação, ele esteve na ilha e tivemos a oportunidade de conhecê-lo. Foram poucos dias, mas o suficiente para percebermos o perfil e a qualidade do bispo que iremos receber. Um missionário com um grande espírito de pobreza, humildade e sensibilidade. Tenho certeza que ele será um bispo muito próximo do povo, um pastor que irá lutar bravamente por seu rebanho. Isto nos dá muita esperança", ressalta. O padre afirma que os religiosos de Marajó fizeram questão de prestigiar a cerimônia. "É um gesto de unidade, uma demonstração de que o acolheremos com todo carinho", afirmou.

Religiosos da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro (RJ), onde Dom Evaristo Spengler trabalhou durante muitos anos, também estiveram presentes na cerimônia de ordenação. Bispo emérito de Duque de Caxias, Dom Mauro Morelli, um dos bispos ordenantes da celebração, lembrou o tempo em que dividiu o trabalho missionário com o frei gasparense. "Bispo Evaristo sempre foi um frade exemplar, um grande amigo do povo. Enquanto esteve na Baixada Fluminense, ele foi um grande companheiro. Confesso que sua nomeação a bispo não me surpreendeu. Eu tinha a impressão de que isto iria acontecer em breve. Um bispo tem que ser visível ao povo, ter pés de missionário para caminhar ao seu lado. E bispo Evaristo está preparado para isto", avaliou.

O gasparense Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS), se disse emocionado ao ver seu conterrâneo nomeado bispo. "Sempre nos honra quando alguém de nossa terra é escolhido para um serviço como este. Bispo Evaristo foi destinado a uma região marcada por conflitos sociais, onde a voz da igreja é quem clama por justiça. Suas experiências no Rio de Janeiro e na África certamente vão ajudá-lo nessa nova empreitada", observou.

O bispo da diocese de Blumenau, Dom Rafael Biernaski, ressaltou a importância da nomeação para a comunidade católica local. Este é um momento muito importante para a nossa diocese. “Ficamos felizes em poder oferecer este presente à Igreja”. Frei Paulo Moura, pároco da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, lembrou que Gaspar é conhecida como a cidade dos bispos. "A ordenação de frei Evaristo é um momento de festa e de muita alegria para nós. O povo gasparense é um povo de muita fé, com um grande espírito religioso. Somos uma igreja muita viva, cheia de ministérios, e a ordenação de mais um bispo é fruto desta realidade", opinou.

Trajetória

Dom Evaristo Spengler nasceu no dia 29 de março de 1959, no bairro Pocinho. Ingressou na vida religiosa pela tradição de sua família: seus pais, José Arno Spengler e Victória Gertrudes Spengler, já felecidos, sempre estiveram envolvidos com a igreja católica. O religioso seguiu para o seminário, em Rodeio (SC), aos 14 anos de idade. Em 19 de maio de 1984, foi ordenado padre na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, em Gaspar.

Desde então, Dom Evaristo procura estudar e entender melhor a palavra de Deus. Para isso, estudou Filosofia e Teologia e lecionou Formação Bíblica nas paróquias Franciscanas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Quando recebeu a notícia de sua nomeação, o religioso havia sido recém-eleito vigário provincial da província Franciscana da Imaculada Conceição, em São Paulo (SP).

Neste domingo (7), às 9h30min, frei Evaristo Spengler celebrou sua primeira missa como bispo. A celebração aconteceu na Igreja Santa Clara, no bairro Poço Grande, onde também Frei Jaime Spengler - primo de segundo grau de Evaristo - rezou a sua primeira missa após a ordenação, em fevereiro de 2011. A posse de Dom Evaristo está marcada para o dia 27 de agosto, quando novamente ele viverá fortes emoções como a desta final de semana.  

 

ENTREVISTA (publicada na edição do JM de 06 de agosto de 2016)

Jornal Metas: Como foi receber a notícia da nomeação a bispo?

Frei Evaristo Spengler: Nunca almejei ser bispo. Sempre disse: eu sou frade menor e quero estar a serviço da igreja, do povo. Quando o núncio me informou sobre a nomeação eu disse “não é esta minha vocação”. E ele disse “ser bispo não é uma vocação, é um serviço”. E é desta forma que eu encaro: um serviço à Igreja, ao povo de Deus.

JM: Qual sua expectativa para o novo desafio?

Evaristo: Visitei a Prelazia de Marajó logo após a nomeação e encontrei uma igreja muito viva, acolhedora. Uma igreja que de fato tem um compromisso com o povo e preocupada com as questões sociais. Podemos destacar três situações muito fortes na ilha: a prostituição infantil, que a igreja combate veementemente; o tráfico de meninas; e também um grande problema em relação à terra, há muitos ribeirinhos sendo expulsos de suas casas. 

JM: Quando e como você descobriu sua vocação religiosa?

Evaristo: Minha família sempre foi muito religiosa. Meus pais sempre participaram da Igreja São Pedro Apóstolo, vínhamos sempre à missa e à noite rezávamos o terço em casa. Recebíamos muito a visita de padres em nossa residência e assim, ao longo da vida, eu fui descobrindo que Deus me chamava para um serviço à Igreja.

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