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Tema.

Diálogo e união são temas da CF Ecumênica de 2021

Campanha da Fraternidade lembra exemplo de Cristo: o que era dividido, fez uma unidade

A união de todos os povos e classes está no tema central da CF Ecumênica de 2021


A união de todos os povos e classes está no tema central da CF Ecumênica de 2021

Quarta-feira, a chamada "De Cinzas", é marcada pelo ínicio da Quaresma, que são 40 dias que antecedem à Páscoa dos católicos. É também a data do começo da Campanha da Fraternidade cujo objetivo é conduzir o povo cristão a refletir sobre algum tema no País, nos âmbitos da saúde, do meio ambiente, da família, dentre outros. Embora a Campanha da Fraternidade tenha sido criada há 57 anos, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a cada cinco ela se torna uma ação ecumênica, ou seja, tem apoio e engajamento de várias outras igrejas cristãs, como a Luterana, Presbiteriana e Metodista, sendo que o tema é endossado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC).

Assim, em 2021, o ano da CF Ecumênica, o tema é "Fraternidade e diálogo: compromisso de amor, com o lema "Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade", retirado da citação bíblica da Carta dos Efésios (Ef. 2.14). O tema pretende despertar nas pessoas a importância do diálogo. "Dialogar como compromisso de amor. Inseridos num cenário marcado por polarizações, ódios, ausência de escuta, individualismos imperialistas e indiferença", afirma o pedre Patriky Samuel Batista, especialista em Teologia Pastoral e Missiologia e secretário executivo da CNBB. Segundo ele, a CF Ecumênica de 2021 nos convida a recuperarmos a nossa capacidade de relação, tolerância, amorosidade e fraternidade. "Não podemos permanecer indiferentes a esta realidade que banaliza a vida, gera conflitos, violências, discriminações e radicalizações", reforça

O pároco da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, frei Paulo Moura, lembra que Cristo fez do que era dividido uma grande unidade, e o momento pede exatamente pelo reencontro com essa união por meio do diálogo. "O panorama é de um mundo dividido, polarizado, as vezes até odioso, desrespeitoso, por isso o tema é interessante e atual", avalia.

Em sua mensagem aos Católicos, o Papa Francisco também afirma que "para dar esperança, basta ser uma pessoa amável, que deixa de lado as suas preocupações e urgências para prestar atenção, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de estímulo, possibilitar um espaço de escuta no meio de tanta indiferença". O pontífice convida as pessoas a estarem mais atentas em dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam.

Polêmica

Mas, como vivemos um tempo de intolerância, a Campanha da Fraternide 2021 gerou polêmica entre os cristãos ortodoxos. E qual o motivo? Em um dos itens da proposta, é citado o número da violência no Brasil contra a comunidade LGTB, que é um grupo minoritário da sociedade onde estão inseridos lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e outras sexualidades e identidades de gênero. Para Ana Beatriz Dias Pinto, professora de Teologia no Studium Theologicum e membro da Comissão de Comunicação da Arquidiocese de Curitiba, em artigo publicado na imprensa, a polêmica surgiu "como fruto do delírio coletivo acirrado por meio do bizarro contexto político em que o Brasil se encontra - além da empoeirada divisão entre conservadores e progressistas que perdura desde o final do Concílio Vaticano II (1962-1965)".

Portanto, entende a teóloga, "já era de se esperar que haveria críticas à proposta da Campanha da Fraternidade de 2021, afinal, ela convida à verdadeira conversão - algo que nem todo cristão, mais de nome do que de obras, é capaz de vislumbrar". Além de ser uma importante ferramenta formativa e de engajamento, argumenta Beatriz, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica oportuniza o diálogo entre diferentes convicções e pode ser palco para a construção de uma verdadeira cultura de paz. Ela chama atenção que o comportamento contrário presta um desserviço, que revela o desejo intencional de se dividir ainda mais o povo. A teóloga cita como aspectos possitivos da CF Ecumênica, a denúncia de violências contra pessoas, povos e a Criação, em especial, as que usam o nome de Jesus, além de encorajar a justiça para a restauração da dignidade das pessoas, para a superação de conflitos e para alcançar a reconciliação social.

Frei Paulo Moura, entende que o tema em si não causou polêmica, mas o iten 58, que trata justamente da defesa das minorias. "Não se trata de nenhum posicionamento doutrinal, apenas traz a questão da violência contra a comunidade LGTB, que tem aumentado muito, não podemos deixar de dialogor com todos os grupos, pois Cristo sempre acolhe, nunca exlui", finaliza o religioso.



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