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ABUSO SEXUAL

Decisão da justiça revolta família

03 Junho 2016 19:18:00

Mãe da menina abusada sexualmente diz não acreditar mais em justiça

Redação Jornal Metas
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Foto: Arquivo Jornal Metas
Quando souberam do ocorrido, comunidade protestou em frente ao CDI

Uma mistura de revolta, medo e angústia. Foi essa a sensação da mãe de uma menina de três anos ao saber, nesta semana, que suspeito de abusar sexualmente de sua filha havia conquistado o direito de responder ao processo em liberdade. "Vi a notícia no facebook e na hora que eu li fiquei gelada. Ainda não consigo acreditar que ele está solto", revolta-se. A decisão unânime do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) tirou o chão da família. "Não acredito mais na justiça, perdi todas as minhas esperanças e receio que ele não seja condenado. A lei é muita injusta", emociona-se.

A revolta e preocupação da família com a medida é ainda maior, pois o jovem, após sair do Presídio Regional de Blumenau, foi morar na casa de uma prima, muito próxima a da menina. "Temos medo do que pode acontecer se alguém da família cruzar com ele na rua. Os ânimos ainda estão muito exaltados, o que pode levar a uma briga", alerta a mãe.

O suspeito foi preso preventivamente no dia 13 de abril e o habeas corpus concedido na terça-feira (31). No mesmo dia, o alvará de soltura foi cumprido. De acordo com os advogados de defesa, Ivens Debortoli Duarte e Marcelo Tiago Marques, o jovem ganhou a liberdade,porém, enquanto não é julgado precisa respeitar uma medida cautelar que o proíbe de trabalhar com crianças e adolescentes. Caso ele descumpra a decisão, poderá retornar para a prisão. "Na época surgiram outras denúncias contra ele e, por isso, a prisão preventiva foi decretada. Porém, após investigações, todos estes outros casos foram arquivados", explica o advogado Duarte. Além disso, o jovem é réu primário e estava cursando o ensino superior.

Acompanhamento

Apesar da pouca idade e de não entender exatamente o que aconteceu com ela, a vítima do abuso sexual carrega traumas. Desde o crime, a criança está tendo acompanhamento psicológico, oferecido pela prefeitura. Porém, até agora, ela não aceita voltar a nenhum Centro de Desenvolvimento Infantil (CDI) da cidade. "Quando eu converso com ela e falo que ela precisa ir para o CDI ela começa a chorar e diz que nao quer ir. Eu, já por medo de tudo que aconteceu, também não forço nada", admite a mãe. Ela tem medo que a filha volte a ser vítima, desta vez do preconceito. "Tenho medo que as pessoas fiquem falando dela. Apontando e julgando". A mãe conta que a família evita de falar sobre o ocorrido na frente da criança.

O caso

O suposto estupro teria ocorrido no dia 8 de abril deste ano, uma sexta-feira, no Centro de Desenvolvimento Infantil (CDI) Cachinhos de Ouro, no bairro Figueira. O crime teria sido praticado pelo auxiliar de professor, que trabalhava no CDI havia três meses. Quem viu o abuso foi uma servente de merendeira. "Ele estava segurando a criança em um dos braços e com a outra mão acariciando as partes íntimas dela. Quando ele me viu fez de conta que não estava acontecendo nada e foi lavar as mãos. Foi horrível para mim, que sou mãe, presenciar uma cena destas". A merendeira informou o fato à direção do CDI, que acionou a Secretaria de Educação. A diretora foi orientada a dispensar o funcionário, que foi afastado. O fato da polícia não ter sido chamada revoltou a comunidade que protestou em frente ao CDI e em frente à Secretaria de Educação.

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