| ASSINE | ANUNCIE
| | | |
POLÊMICA

Cerâmica Pereira pode fechar as portas em Ilhota

22 Março 2019 18:45:00

Motivo é a intenção da Prefeitura em revogar a lei que doou terreno, na margem esquerda, para a empresa erguer sua nova sede


A empresa hoje está no centro da cidade e não tem como ampliar suas instalações, por isso requereu terreno na margem da BR-470 (detalhe) / Foto: Google Maps/

As mais antiga fábrica de Ilhota, a Cerâmica Pereira, com 56 anos de atividades, corre o risco de fechar suas portas. O motivo é o projeto de lei 1/2019, de autoria do Executivo, que revoga a doação de um terreno público de 30 mil metros quadrados para a empresa. A área fica localizada às margens da BR-470 - cerca de 100 metros do acesso a Ponte Padre Claudio Jeremias Cadorim, no Baú Baixo - e sua doação foi autorizada, em dezembro de 2015, pelo legislativo municipal (Lei 1804/2015) e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico.

Na sessão ordinária da última terça-feira (19), o projeto que desfaz a doação foi aprovado em primeira votação por 4 votos a 3 e uma abstenção. Na sessão da próxima terça-feira (26), ocorre nova votação e a tendência é que o Executivo saia vencedor. O proprietário da Cerâmica Pereira, Márcio Pereira, está apreensivo com a posição do legislativo. Segundo ele, a mudança para o novo endereço é uma questão de sobrevivência do negócio. "No espaço onde estamos hoje, no Centro da cidade, não dá mais para ampliar e modernizar nossas operações, além disso existem questões ambientais que nos impedem de investir nas atuais instalações. Se Legislativo e Executivo mantiverem a intenção de revogar a lei nós seremos obrigados a fechar as portas de uma empresa de quase 60 anos", admite. Ele entende que uma empresa com toda essa tradição no município não deveria brigar para continuar em funcionamento. "A falta de interesse do poder público em resolver a situação, prejudicou um empreendimento que faz parte da história ilhotense", desabafa o empresário.

O prefeito Érico Oliveira, o Dida, parece não se sensibilizar muito com a ligação que a Cerâmica Pereira tem com a cidade de Ilhota. Em conversa com o proprietário, o prefeito se manteve irredutível na intenção de revogar a lei que doou a área à Cerâmica Pereira. Aliás, Dida chegou a dizer que existe uma empresa interessada em se instalar naquele terreno, o que também foi admitido pelo Procurador Geral do Município, Luiz Fernando Maba.

De acordo com ele, cinco empresas já procuraram a prefeitura requerendo a área para instalar seus negócios. Todavia, ele não confirma a informação de que a prefeitura já teria firmando um pré-compromisso com uma empresa do setor de pneus. "Temos várias empresas interessadas", limitou-se a dizer o procurador. Maba explica que a prefeitura está revogando a lei porque a doação foi condicionada, em seu artigo 3º, a uma contrapartida da Cerâmica Pereira ao município de um imóvel localizado na Rua Paulino Maes, na margem direita com área de 616 metros quadrados, o que não se concretizou até agora. O procurador afirma ainda que a empresa também descumpriu o artigo 2º da mesma lei, que determina que ela se instale na área doada, fato que até o momento também não aconteceu.

Para Pereira as alegações da prefeitura não tem consistência jurídica, pois existe uma lei municipal (1466/2008) cujo artigo 3º estabelece um prazo de cinco anos para quaisquer indústria se instalar no município, ou seja, a Cerâmica Pereira teria até 2.020 para construir a sede e ocupar o espaço doado. Ainda sobre o argumento da prefeitura de que a obra não iniciou, o empresário lembra que, em 2016, a Cerâmica Pereira iniciou os trabalhos de terraplenagem, com macadamização de acesso e o aterro para a construção da nova sede, sendo que houve um atraso no cronograma devido o momento de dificuldade econômica do País e que se refletiu diretamente no setor da construção civil. No entanto, o principal motivo da empresa ainda não estar no novo endereço é porque, em 2017, a Diretoria de Patrimônio da prefeitura notificou a Cerâmica Pereira para que suspendesse todas as atividades no terreno. "De lá pra cá não fizemos mais nada e agora fomos surpreendidos com essa lei que pretende revogar a doação", lamenta o empresário.


Silvino: quase 30 anos dedicados à empresa / Foto: Alexandre Melo - Jornal Metas /


Ele conta que após a suspensão das atividades, a empresa enviou ofício ao prefeito Dida alertando para o prazo de cinco anos para o cumprimento da transferência de posse do terreno e conclusão da obra, porém, não obteve resposta. Pereira revela que já fez investimentos no terreno que somam mais de R$ 230 mil, inclusive adquirindo parte da estrutura pré-moldada do galpão que será erguido.

O terreno que a prefeitura recebeu em troca da doação da área na BR-470 fica próximo à margem direta do rio Itajaí-Açu, no Centro da cidade. Segundo reportagem, publicada pelo Jornal Metas em outubro de 2015, a área é a mesma onde a Secretaria de Turismo de Ilhota pretendia construir um parque náutico com pier flutuante, porém, o projeto nunca saiu do papel. Se não for mais do interesse do município o terreno, o proprietário da Cerâmica Pereira propõe doar 150 mil tijolos para a construção de bens públicos em Ilhota, como creches, escolas e postos de saúde.

Favorável à manutenção da doação da área à Cerâmica Pereira, o vereador Cidney Carlos Thomé entende que é preciso seguir a lei. "Eu votei contra a revogação porque existe, por lei, um prazo de cinco anos para a empresa se instalar, ou seja, até 2020. Se eles (Cerâmica Pereira) não cumprirem esse prazo, aí sim o Executivo terá motivos para revogar a doação do terreno", argumenta o parlamentar. Já o vereador Sidnei Reinert, favorável à revogação da lei, afirma que a Cerâmica Pereira teve prazo suficiente para construir sua sede e não o fez e não fará, por isso é preciso dar a oportunidade a outras empresas que queiram se instalar no município. "Precisamos pensar na cidade e no seu desenvolvimento", defende

Futuro

O dono da Cerâmica Pereira não está apenas preocupado com o futuro do seu negócio, mas também com seus 35 colaboradores que trabalham há muitos anos na empresa. "Se tivermos de fechar a empresa, essas pessoas ficarão desempregadas e já com uma idade avançada, o que vai dificultar muito a recolocação no mercado", avalia. Entre esses colaboradores está Antônio Silvino Costa, 48 anos, que cuida de um dos 13 fornos da empresa. Silvino trabalha há 29 anos na Cerâmica Pereira e diz que tudo o que construiu na vida foi graças à empresa. Natural de Chopinzinho, no Paraná, ele chegou à Ilhota com a esposa e uma filha sem saber onde iria morar. Na época foi acolhido por Marcos Pereira (já falecido), pai do atual proprietário. "O seu Marcos me deu uma grande oportunidade de emprego e ainda a minha primeira casinha de madeira. Hoje, tenho carro quitado e uma boa casa graças à empresa. Se ela fechar as portas vai ficar difícil porque eu tenho pouco estudo e só sei fazer esse serviço", finaliza o colaborador.



LEIA TAMBÉM

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |




JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |