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AJUDA

Bombeiros de SC voltam para casa após missão

Eles chegaram na tarde desta quinta-feira (7) após trabalhos em Brumadinho (MG)

Kássia Dalmagro / jornalismo2@jornalmetas.com.br

Após oito dias de árdua missão na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais (MG), os bombeiros militares de Santa Catarina que integraram a primeira Força Tarefa do Estado retornaram para suas cidades. Dos 10 bombeiros militares, um deles, sargento Fabiano Jovinski, é lotado no Pelotão de Gaspar e outros quatro no 3º Batalhão, em Blumenau. A chegada deles à sede, na tarde de quinta-feira (7), foi marcada pela emoção. Após 24 horas de viagem, eles foram calorosamente recepcionados pelos colegas de farda e também pelos familiares, que os esperavam com ansiedade. Aplausos, sorrissos, abraços, apertos de mão... manifestações de carinho não faltaram. "Quando soube da tragédia eu já sabia que em algum momento eles seriam chamados para ajudar. Quando veio a confirmação, foi uma mistura de sentimentos: senti orgulho e, ao mesmo tempo, preocupação. Mas sabia o quanto era importante a presença dele lá. A maior angústia é que sabemos que, se for preciso, eles estão preparados e dispostos a darem a vida deles para ajudar", afirma Mariana Paula da Silva, esposa do capitão Renan César Vinotti Ceccato. Ele foi um dos cinco bombeiros do 3º Batalhão envolvidos na missão. "Às 6h nos apresentávamos no Posto Avançado de Comando e trabalhávamos até às 19h. Acredito que a nossa missão teve resultados expressivos. Nos dias em que atuamos na área atingida conseguimos indicar 20 possíveis localizações de corpos com o auxílio dos cães farejadores. Cinco deles foram retirados da lama, além de outros três segmentos de corpos", disse.

Foto: Kássia Dalmagro/Jornal Metas /

Um dos cães a quem o capitão Renan se refere é o "Bravo", conduzido pelo cabo Jacques Douglas Romão. Para seguir na missão, ele teve que se despedir do filho recém-nascido, Matheus. "Em nenhum momento hesitei em ir. Confio muito na minha esposa e, além disso, vários amigos se manifestaram, garantindo que dariam a ela todo o apoio necessário. Eu sabia que a nossa presença lá (refere-se também ao cão Bravo) seria muito mais útil do que aqui", emociona-se. E, segundo cabo Romão, a ajuda foi realmente de grande valia. "O Bravo se comportou muito bem e fez um grande trabalho. Mas há muito ainda a ser feito e nós vamos voltar para lá. Há muitas pessoas desaparecidas", diz. A previsão é que ele e Bravo sigam para Brumadinho com o terceiro grupo, no dia 19. "Mas eu quero ir antes", ressalta o cabo diante da realidade que encontrou em MG.


Foto: Kássia Dalmagro/Jornal Metas /

A tristeza que paira em Brumadinho também impressionou o Subtenente Valério Valmor, 52 anos. Ele poderia não ter embarcado na jornada com o grupo, já que, no dia 1º de fevereiro, entraria para a reserva. Mas diante do convite do comando, ele não pensou duas vezes e adiou a aposentadoria para o mês de março. "O sentimento de amor ao próximo foi muito maior e estou muito satisfeito em poder ter feito esse trabalho. Presenciei muita tristeza lá, muitas pessoas em busca não somente de respostas, mas de um abraço, uma palavra de conforto... e isso existiu. Algumas pessoas nos perguntaram: o que será de nós depois que vocês forem embora? A única coisa que posso dizer é: se depender dos bombeiros a missão irá seguir até o último corpo ser encontrado", emociona-se.

Os "catarinas" da 1ª Força Tarefa, como foram chamados pelos bombeiros de Minas Gerais, deixaram Brumadinho mas, no dia em que vieram embora, outro grupo dos BMSC já chegava ao local. Eles ficam no estado mineiro durante uma semana, quando serão substituídos por uma nova equipe, já definida. Os trabalhos foram focados na busca por desaparecidos e durante os serviços realizados pela 1ª Força Tarefa foram localizados e resgatados oficialmente oito corpos. Além disso, os cães indicaram outras 11 áreas onde há possíveis vítimas. Para os resgates, a equipe catarinense utilizou as técnicas de desmanche hidráulico, que consiste em remover a lama por intermédio de um jato com água reaproveitada da própria cena; desmanche manual, com utilização de pás e enxadas; e escorva, que caracteriza a retirada do material líquido com uma motobomba.

Bombeiro de Gaspar fala sobre os trabalhos  


Foto: Kássia Dalmagro/Jornal Metas /


Lotado na Companhia de Gaspar desde 2013, o sargento Fabiano Jovinski, 42 anos, falou sobre a experiência em Minas Gerais (MG). "Volto me sentindo muito orgulhoso por ter sido um dos bombeiros chamados para esta missão na qual mostramos o nosso trabalho, localizando vários corpos e dando um conforto para algumas famílias que poderão enterrar seus entes queridos", disse. A rotina, segundo ele, era exaustiva. "Às 6h30min já tínhamos que estar na base, com a missão e grupos definidos. Tomávamos café da manhã e as outras refeições eram todas feitas na área onde estávamos trabalhando. A alimentação era basicamente feita com suplementos, como barras de cereais e proteínas e gel de carboidrato. Além disso, tomávamos muita água e isotônico", diz. À noite, o grupo ficava alojado em uma faculdade - distante cerca de 40 minutos da Base Avançada. "É importante frisar que não somos heróis, somos profissionais técnicos, capacitados para este trabalho. Mas é claro que não ficamos indiferentes a toda tristeza que encontramos lá. Se eu for chamado novamente, estarei à disposição, pois é o meu trabalho", garante. Além de toda experiência profissional, o sargento também trouxe uma lição de Minas gerais. "Precisamos estar mais unidos, em família. Isto é primordial pois a tragédia não manda aviso e, de uma hora para a outra, você pode não ter mais nada ou aqueles que amam a seu lado". O sargento foi recepcionado em Blumenau pela esposa, Rosane Batista, que também é bombeira comunitária. "Quando ele foi chamado, eu sabia que ele precisava ir. Mesmo assim, fiquei muito apreensiva e quando ele começou a arrumar as malas, a angústia aumentou. Mas o orgulho é muito grande e como conseguia falar com ele todos os dias, a preocupação foi diminuindo", disse. Ela também preparou uma grande surpresa a Fabiano. Quando ele chegou em sua casa, no bairro Gasparinho, os filhos Maria Fernanda, Matheus e Mayra Gabriela o esperavam. Assim que saiu do carro, mais emoção: duas viaturas do Corpo de Bombeiros de Gaspar chegaram ao local com seus amigos de farda para dar as boas-vindas ao sargento que, neste sábado (9), já voltou aos trabalhos na cidade. "Senti uma emoção muito forte, não esperava por isso", emociona-se o sargento.

A tragédia

A barragem de rejeitos da mineradora Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais (MG), estourou pouco depois do meio-dia, no dia 25 de janeiro, quando a parte inferior do reservatório começou a ceder. Em três minutos, tudo que estava abaixo da barragem foi completamente engolido pela lama, ao longo de uma distância de quilômetros. Rapidamente, o "tsunami" destruiu parte do centro administrativo e do refeitório da Vale, máquinas de mineração, trem, uma ponte, casas, pousadas e currais. A vegetação e rios foram atingidos. Até sexta-feira (8), 157 mortes haviam sido confirmadas na tragédia. Outras 182 pessoas continuavam desaparecidas.



Foto: Kássia Dalmagro/Jornal Metas /


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