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RIGOR

Autoridades vão fazer valer o poder de 'polícia'

Relaxamento por parte da população vai obrigar a uma maior fiscalização dos órgãos


A semana começou com um movimento ainda maior de carros e pessoas nas ruas de Gaspar / Foto: Alexandre melo - Jornal Metas/

Não precisa ir muito longe para perceber que a vida em Gaspar voltou ao normal. Basta caminhar pelo centro da cidade. Se não fossem as máscaras no rosto das pessoas e os cartazes na porta dos estabelecimentos comerciais informando da necessidade do uso do álcool em gel, poderia se afirmar que a Covid-19 nunca foi uma ameaça por aqui. Nesta terça-feira (19), Gaspar atingiu a marca de 38 casos confirmados do novo coronavírus, sendo que apenas 15 pessoas ainda estão em tratamento, 22 são consideradas curadas e uma morreu.

Para as autoridades públicas, isso não é motivo de relaxamento, pelo contrário, o Sistema de Comando em Operações (SCO) de Gaspar, que centraliza todas as ações de segurança contra o novo coronavírus, decidiu apertar o cerco junto à população para o cumprimento das medidas estabelecidas no decreto do Governo do Estado. No sábado (16), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e as polícias Civil e Militar realizaram uma vistoria em lojas, supermercados, bares e restaurantes do Centro da cidade. A intenção é alertar mais uma vez para o protocolo de segurança estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Covid-19. Por enquanto, essas são as únicas armas eficazes contra o inimigo invisível.

Para o superintendente da Defesa Civil, Evandro de Mello Amaral, não se trata nem de pedir, mas sim de impor as medidas de segurança, como uso de máscara, álcool em gel e distanciamento. "Se os estabelecimentos não obedeceram serão autuados e interditados", afirma. O mesmo vale para as pessoas que provocam aglomerações como festas em sítios e residências particulares. "Se nós recebermos a denúncia, as polícias irão até o local e, se for constatada a irregularidade, vamos intervir e apurar responsabilidades", avisa Amaral.

Segundo ele, será preciso agir com mais rigor para evitar que o coronavírus se espalhe entre a população. "Se uma pessoa vier a óbito, eu não quero ser o culpado por não ter feito a minha parte, que é garantir que as medidas de segurança sejam cumpridas", justificou Amaral.

Nas últimas semanas, o SCO observou um relaxamento por parte da população, o que é natural, pois o número de casos de Covid-19 em Gaspar ainda é baixo se comparado a municípios vizinhos como Blumenau (a terceira cidade do Estado com mais casos. Amaral, porém, diz que se as pessoas insistirem em não obedecer as medidas de segurança a tendência é esse número de infectados aumentar bastante nas próximas quatro semanas. "Quem pode ficar em casa fique. Evidente que será preciso sair à rua para ir, por exemplo, a um supermercado, mas que isso seja feito quando necessário e com segurança", orienta.

Amaral lembra ainda que uma nova quarentena não está descartada pelo Governo do Estado com base na curva da pandemia em Santa Catarina. "Por enquanto, estamos numa situação confortável em relação a outros estados, mas se a nossa curva crescer muito podemos ter um lockdown, que é o fechamento de tudo, e se a economia já estava ruim, com muita gente perdendo o emprego, imagine se precisarmos parar tudo de novo, comércio e indústrias. Vamos jogar fora 60 dias de trabalho e a crise será ainda mais profunda, mais pessoas vão perder o emprego e não vão ter nem o que comer", alerta Evandro.

Além da economia, o superintendente chama atenção para o perigo do colapso no sistema de saúde do município. "Hoje nós temos dez leitos de UTI no Hospital de Gaspar, porém, se 11 pessoas precisarem de respirador, a décima primeira terá que esperar e aí vocês não queiram imaginar o que é uma pessoa com dificuldade de respirar".

Números 

Nesta primeira operação em conjunto das forças de segurança do município, 33 estabelecimentos foram visitados e, de acordo com Amaral, a maioria está ciente das responsabilidades. "Notamos que os estabelecimentos dessa região têm adotado as medidas, principalmente os lojistas. Contudo, também percebemos a dificuldade de muitos em relação aos clientes, que ainda insistem em descumprir as determinações, colocando o próprio comerciante em uma situação desconfortável", relata.

Além do comércio do Centro da cidade, as equipes visitaram quatro supermercados, um no Centro, um no bairro Santa Terezinha, um no Gasparinho e um no Sete de Setembro. Por serem estabelecimentos de maior porte, o controle ainda é deficitário em alguns, por isso, além de reforçar as orientações e recomendações, a equipe solicitou que informem os nomes dos funcionários responsáveis por fazer cumprir as determinações do decreto estadual. "Os estabelecimentos devem saber qual a capacidade total do espaço e limitar em 50% a lotação. Para isso é necessário ter pessoas controlando as entradas e saídas. Assim como haver o controle de aglomeração e filas dentro da loja, como nas áreas de hortifruti, padaria e açougue, higienização de carrinhos e cestas, além da disponibilização de itens de assepsia e a obrigatoriedade do uso correto da máscara", explica o comandante do Corpo de Bombeiros Militar, Tenente Diego Franz.

O comandante da PM de Gaspar, major Pedro Carlos Machado Junior, disse que a corporação disponibilizou uma guarnição exclusiva para a fiscalização do decreto. Em média, segundo ele, são feitas de 15 a 20 vistorias, sendo que a PM já emitiu 59 notificações desde o dia 18 de março, porém, não aplicou nenhuma multa ou interdição. O major Pedro disse que é necessário apertar o cerco, para impedir a propagação do vírus em Gaspar. O o delegado Bruno Fernando Alves de Oliveira, reforçou que não adianta em nada aumentar o número de leitos do hospital se as pessoas continuam a não se proteger. Ele orientou que o cidadão utilize a delegacia virtual para resolver as pendências com relação ao Citran. "O atendimento presencial somente está sendo feito mediante pré-agendamento. Evitem ao máximo a aglomeração, inclusive em frente à delegacia", acentuou o delegado.

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