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PERDA PARA O FUTEBOL

Morre o ídolo argentino Maradona

Ex-jogador, que vinha se recuperando de cirurgia, sofreu uma parada cardiorrespiratória


Maradona vinha enfrentando problemas de saúde / FOTO DIVULGAÇÃO

O ex-jogador argentino, Diego Maradona, de 60 anos, faleceu na manhã desta quarta-feira, dia 25, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ele estava em sua casa, em Tigre, cidade próxima à capital Buenos Aires. O ídolo havia sido operado no início do mês de uma hematoma subdural e permaneceu hospitalizado devido a uma baixa anímica, anemia e desidratação e o quadro de abstinência devido ao vício em álcool. Ele recebeu alta no dia 11 deste mês. Maradona era o atual técnico do clube Gimnasia Y Esgrima La Plata, mas foi obrigado a deixar o comando nas mãos dos assistentes devido aos problemas de saúde. O velório e sepultamento do ex-jogador ainda não foram divulgados.

Considerado um dos maiores, mais famosos e mais polêmicos jogadores do século passado, Maradona iniciou sua carreira profissional no Argentinos Juniors em 1976. Reunia inteligência, vontade e talento, com dribles, habilidade para mudar drasticamente sua velocidade e dar giros surpreendentes. Enquanto jogador, foi reverenciado como uma divindade em seu país natal, sendo criada inclusive uma igreja dedicada a ele.

Seu maior momento foi na Copa do Mundo de 1986, que na opinião popular foi ganha inteiramente por El Pibe de Oro, como era carinhosamente chamado pelos torcedores argentinos e imprensa. Internacionalmente, Maradona também consagrou-se como herói da equipe italiana do Napoli, um clube que, embora tradicional, estava entre os pequenos do país. Com El Diez, o Napoli viveu momentos de glória no final da década de 1980, ganhando seus dois únicos títulos no campeonato italiano e lutando de igual para igual com as maiores equipes do país.

A carreira de Maradona, porém, foi cercada de polêmicas, que não se limitaram aos gramados. As maiores delas foram relacionadas ao seu envolvimento com drogas, um vício que acabou por arruiná-lo nos gramados e que por algum tempo o deformou fisicamente. Teve também dois filhos fora do casamento que não reconheceu como seus. E rotineiramente fazia declarações contra os bastidores da FIFA, principalmente aos dirigentes João Havelange, Sepp Blatter, Michel Platini, Franz Beckenbauer, além de Pelé, e também teve um histórico de atritos com a imprensa, incluindo a de seu próprio país.

Nos gramados foi um gênio da bola. Aos nove anos, seu talento já o fazia ser a criança mais popular da favela em que morava, no subúrbio de Buenos Aires. Um colega havia sido aprovado em um teste para as categorias de base do Argentinos Juniors, e respondeu aos elogios do treinador dizendo que conhecia um garoto ainda melhor. O treinador, Francis Cornejo, deu-lhe então dez pesos para que pedisse a esse outro jovem para ir vê-lo. Cornejo e outros observadores do clube, incrédulos com o que viram no outro menino, foram acompanhá-lo na volta até a casa deste e, pedindo à mãe dele, conferiram sua documentação para desfazer qualquer engano plausível. Viram que Maradona realmente tinha apenas nove anos de vida.

Os pais foram então convencidos a colocar Maradona no Argentinos, clube pequeno da capital, mas famoso pelo bom trabalho que desenvolvia com as categorias de base. Com quinze anos, disputava partidas preliminares, já atraindo multidões. Quando finalmente foi lançado entre os profissionais, não saiu mais. Demonstrava um repertório completo certeiro com a sua mágica perna esquerda: lançamentos, passes, dribles curtos, chutes certeiros de curta e longa distância, cobranças de falta e escanteios. Aos dezessete anos, recebeu a primeira convocação para a Seleção Argentina, da qual foi polemicamente cortado na Copa do Mundo de 1978.

A Copa, jogada em seu país, aconteceu no ano em que Maradona foi pela primeira vez artilheiro do campeonato argentino. Em 1979, seria artilheiro tanto do campeonato argentino quanto do campeonato metropolitano, torneio que reunia os clubes da Grande Buenos Aires e que era, na época, considerado mais importante até do que o campeonato nacional. Naquele ano, Dieguito seria eleito pela primeira vez o melhor jogador sul-americano. 

A dose repetiu-se em 1980: Maradona foi artilheiro dos dois campeonatos e eleito outra vez o melhor jogador da América do Sul, com o adicional de ter levado o Argentino Juniors ao vice-campeonato nacional, melhor resultado do clube até então. O Boca Juniors, que não conseguia títulos argentinos desde 1976, resolveu ir atrás de Maradona, no que era a realização de um sonho para o jogador: Maradona sempre fora um torcedor fanático do Boca. Jamais seria esquecido, todavia, na equipe que o revelou: o Argentinos renomearia seu campo para Estádio Diego Armando Maradona. 

Boca Juniors e Barcelona

E foi em um amistoso contra o Argentinos Juniors que Maradona fez sua estreia pelo Boca, marcando de pênalti, atuando pelos dois times. Parte da concordância do Argentinos em emprestá-lo estava em uma cláusula do contrato de venda em que proibia que Diego enfrentasse a antiga equipe em jogos oficiais. Dois dias depois, Maradona levou 65 mil pessoas à Bombonera para vê-lo marcar duas vezes  na vitória por 4 a1 na primeira partida oficial, contra o Talleres, de Córdoba. 

O sucesso o levou para a Europa. Maradona chegou ao Barcelona como um messias. O time da Catalunha vivia uma carência de títulos desde o final da década de 1950. Desde 1960, só conseguira vencer o campeonato espanhol em 1974. Via o rival, Real Madrid, se distanciar cada vez mais no ranking de vencedores e ainda sentia o Atlético de Madrid aproximando-se, com um título a menos. O clube fez de tudo para que seu astro se sentisse à vontade, contratando vários argentinos para servirem-lhe de assessores e funcionários. A estratégia não teria bons resultados: o craque acabou por fechar-se naquele círculo de convivências e demoraria a se adaptar na Europa.


Em campo, o lance mais polêmico da carreira do ídolo argentino: o gol com "La mano de Dios" - "A mão de Deus", na Copa de 1986 - FOTO Agustin Macarini

Napoli

Embora tradicional, a equipe napolitana era minúscula, mas Maradona aceitou o desafio e depois de atritos com a diretoria do Barcelona e com a própria imprensa e Federação Espanhola de Futebol, transferiu-se para o time italiano. Os troféus do Napoli resumiam-se a títulos nas divisões inferiores e a duas conquistas na Copa da Itália. Maradona foi logo amado e venerado como um rei, chegando de helicóptero a um Estádio San Paolo tomado por torcedores que ainda custavam a acreditar. Ele, curiosamente, poderia ter chegado antes ao time: o clube o havia sondado em 1979, quando ainda estava no Argentinos Juniors, mas ele recusara a proposta na época. "Para mim, Napoli era apenas uma coisa italiana, como pizza", comentou.

O espanto foi geral: a equipe mais vencedora do país, a Juventus, também estaria interessada, de acordo com a imprensa. Maradona terminou por escolher o clube celeste porque "foi o único a me fazer uma proposta real e porque o Giampiero Boniperti, ex-jogador e presidente da Juventus na época, já havia dito que um jogador com meu porte físico não chegaria a lugar algum". De acordo com as lendas, o presidente do Napoli, Corrado Ferlaini, teria blefado: depositou na federação italiana um envelope vazio, onde deveria estar o contrato do jogador, a fim de registrá-lo logo. Era o que ele precisava para ganhar tempo, enquanto a manobra era descoberta, para levantar o dinheiro para pagar o Barcelona. No período em que ficou no Napoli, Maradona conduziu o time a dois títulos nacionais. Foi neste período, que o ídolo argentino também se destacou na Seleção do seu país. Fora de campo, a vida do craque passaria por turbulências e o vício das drogas seria escancarado com o primeiro exame positivo para cocaína, em 1991. Maradona foi suspenso por 15 meses. O jogador acabou ligado por provas robustas com a Camorra, a máfia napolitana. Sem poder atuar, Maradona entra em depressão e, no mês seguinte, em abril, é, sob efeito de drogas, preso em Buenos Aires pela polícia no bairro de Caballito. 

Seleção Argentina

Na Seleção Argentina ninguém fez mais do que Maradona. Seu primeiro jogo pela Seleção do seu país aconteceu em 1977, em amistoso contra a Hungria. Maradona integrou o grupo dos pré-convocados para a Copa do Mundo de 1978, mas, apesar do clamor popular para vê-lo no torneio, a ser disputado no país, foi deixado de fora pelo técnico César Luis Menotti, em decisão polêmica em favor de Norberto Alonso, também ídolo na argentina e artilheiro do campeonato com o futuro campeão River Plate. Na Copa de 1982, Maradona finalmente estreou na Seleção Argentina, quando já era um ídolo na Europa. Porém, a Copa da Espanha não foi nada agradável para Dieguito, que foi caçado em campo contra belgas e uruguaios. A Argentina passou para a fase seguinte, mas precisava vencer o Brasil. A Seleção de Telê Santana venceu por 3 a 1 e Maradona ainda foi expulso depois de uma entrada desleal em Batista.

Veio, enfim a Copa de Maradona, no México, em 1986, O craque liderou a surpreendente argentina até a final contra a Alemanha. O Mundial também foi marcado por um dos erros de arbitragem mais incríveis da história das Copas. Maradona marcou um gol com a mão diante da Inglaterra. O juiz não viu e validou. Questionado logo após a partida, onde também marcou um golaço, driblando meio time inglês, Maradona pronunciou a célebre frase: "La mano de Dios" - Foi a mão de Deus". Naquele ano, Maradona seria coroado como o melhor jogador do Planeta. Na Copa de 1990, novamente Maradona brilhou e conseguiu levar a Argentina à final, novamente contra a Alemanha. No caminho, a Seleção Argentina ainda eliminou o Brasil. Na final, a Alemanha deu o troco e venceu por 1 a 0, gol de pênalti, que, para Maradona e toda a crônica esportiva da argentina não existiu. Maradona disse que a vitória da Alemanha havia sido uma armação. O craque disputaria sua última Copa do Mundo em 1994, porém, bem diferente dos torneios anteriores. Já bastante envolvido com drogas e álcool e voltando de uma punição de 15 meses imposta pela Fifa pelo uso de substâncias proibidas, Maradona já não era mais a unanimidade na crônica argentina. Logo após a partida com a Grécia, ainda na primeira fase, o ex-jogador foi novamente pego no exame antidoping. O fato encerrou a sua participação em jogos oficiais com a camisa da Seleção Argentina e sua carreira entrou em declínio completo. Ele voltaria a vestir a camisa da Argentina alguns anos depois em um jogo amistoso de despedida. Maradona ainda voltaria à Seleção Argentina, em 2010, porém como treinador. Sob o seu comando a Seleção disputou a Copa do Mundo da África do Sul, mas foi eliminada nas quartas de final pela Alemanha numa goleada de 4 a 0. Após a Copa, Maradona foi demitido do cargo. O ex-jogador continuou tendo uma vida pessoal bastante atribulada com sucessivas recaídas pelo uso abusivo de álcool e drogas, mas nunca se afastou do futebol onde seguiu com a carreira de treinador até a sua morte, nesta quarta-feira, dia 25. (fonte de pesquisa Wikipédia.


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