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AVENTURA

Desafio superado na Bateia

O blumenauense Henrique Krueger e dois colegas encararam a travessia por sobre seis montanhas


Henrique Krueger tem apenas 30 anos, mas uma experiência de 15 anos em montanhismo. Já teve frente a frente com as principais montanhas de Santa Catarina e de outros estados, como a Serra da Mantigueira, na Região Sudeste do país, além de já ter experimentado as geladas montanhas da Patagônia, na Argentina; Atacama, no Chile e a parte andina da Bolívia. E como todo o bom montanhista do Vale do Itajaí, os morros do Baú, em Ilhota, e Spitzkopf, em Blumenau, foram suas escolas. Foi subindo esses dois morros que o blumenauense se apaixonou pela aventura. Foi então em busca de conhecimento técnico e hoje tem no montanhismo o seu ganha-pão. Ele abriu uma empresa - Terra Média Trekking (@terramediatrekking) - onde guia grupos de pessoas para verdadeiras aventuras em escaladas, trilhas ou travessias.

Recentemente, Henrique e mais dois colegas realizaram uma travessia que não está entre as mais consolidadas do montanhismo regional: a Serra da Bateia, entre Guabiruba e Gaspar


O colega Dirceu Biasi (foto) foi o colega de aventura / Foto: Divulgação/

Embora pouco citada pelos aventureiros, a travessia é de grande relevância histórica, ambiental e econômica para o Vale do Itajaí. Afinal, num barracão construído aos pés da serra, lá pelos idos de 1870, foram abrigadas muitas famílias italianas e tirolesas que colonizaram a região. Daí o nome do bairro "Barracão", em Gaspar. Aliás, espremido entre as montanhas nasce o ribeirão Bateias, cujas águas abastecem a ETA IV (SAMAE Gaspar).

Todavia, as matas que cercam e cobrem os principais cumes da região não fazem parte de qualquer unidade de conservação, possuem pouca ou nenhuma fiscalização e, infelizmente, são rasgadas por diversas estradas madeireiras antigas e trilhas de caça e extração ilegal de palmito, ainda frequentadas. Por isso, afirma Henrique, "estimular a visitação de aventureiros conscientes, pode inibir as atividades predatórias na Serra da Bateia".

Com essa proposta, ele e dois colegas concluíram no dia 8 de maio, a travessia iniciada no pico conhecido como Spitzkopf da Lorena, em Guabiruba, e finalizada no Bico da Bateia, em Gaspar. O trajeto tem aproximadamente 18km e passa também pelo Pico do Gavião, Patheus, Spitzkopf do Holstein (popularmente conhecido de Mordida do Gigante) e Morro da Buettner, antes de atingir o último cume e descer na rua Carlos Zuchi Neto, no bairro Bateias.


Vista da Travessia da Serra da Bateia a partir do cume do Spitzkopf da Lorena (Guabiruba) / Foto: Divulgação/

Para concluir o desafio foram necessárias duas investidas. A primeira no começo de março por Henrique e Rodrigo Vaz. Eles saíram de Gaspar e desceram pelo Vale até a rua Holstein, em Guabiruba, num total de 8km em dois dias. Eles interromperam a travessia porque a mata estava muito fechada, a temperatura alta e carregavam pouca água. Henrique explica que quando a temperatura está muito elevada na mata, o movimento de animais peçonhentos como cobras e escorpiões é bem maior.

A segunda tentativa foi no sentido inverso. Desta vez, Henrique foi acompanhado do montanhista Dirceu Biasi, e já obedecendo isolamento absoluto por conta da pandemia da Covid-19.

Para conseguir cruzar toda a serra em dois dias, a dupla encarou novamente a mata e trechos entre as antigas estradas e trilhas de caçadores. Embora um tanto exigente em termos de navegação, a travessia, segundo Henrique, não é difícil, mas requer conhecimento técnico, pois existem trechos de mata muito fechada. "A travessia se mostrou viável, espero trazer grupos de aventureiros e estimular a preservação e exploração sustentável dessa bela região do Vale", acentua. A questão histórica, destaca o montanhista, também é importante. Segundo ele, informaçoes de moradores locais dão conta de que, no alto da Serra da Bateia havia um cemitério para sepultar pessoas que morriam de lepra. "Não conseguimos localizar o cemitério, mas só o fato de saber que ele existe é estimulante", observa Henrique.

Ele alerta que a travessia deve ser feita por pessoas devidamente equipadas e com guia, adotando princípios básicos de segurança e mínimo de impacto ambiental, como utilizar fogareiro, fazer suas necessidades distantes de cursos d'água e enterrá-las e levar para casa todo lixo gerado no acampamento. "Somente com pioneirismo e conduta sustentável, a exploração de novos roteiros pode trazer benefícios diretos para a comunidade local", opina.

Henrique também conta que foram vários meses estudando a travessia, conversando com moradores locais, em especial o casal de Guabiruba Leila e Guto. "Embora estivéssemos isolados, a travessia não teria saído não fosse o suporte e as informações primárias da comunidade, que colaborou diretamente para o sucesso da expedição", finaliza.



"Somente com pioneirismo e conduta apropriada, a exploração de novos roteiros pode trazer benefícios diretos para toda comunidade local." 

Henrique Krueger

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