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Superação.

Cleusa supera desafio da BR153

A Nega Keniana conta detalhes das quase 48 horas da prova mais difícil da sua longa trajetória de atleta

Cleusa chega em um dos pontos de apoio
Alexandre melo

jornalismo3@jornalmetas.com.br


Cleusa chega em um dos pontos de apoio

Já passava das 8h30min da manhã do último sábado (16) quando a ultramaratonista, Cleusa Varella, a popular Nega Keniana, moradora de Gaspar, cruzou a linha de chegada da BR153, uma das mais difíceis provas de longa duração do mundo, com percurso entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. Carregando as bandeiras de Gaspar, do Brasil e dos seus patrocinadores, Cleusa era só emoção. Abraçada à equipe de apoio, ela lentamente, por causa do choro compulsivo, deu por finalizados os 217 quilômetros da ultramaratona em 46 horas, 35 minutos e 24 segundos, tempo suficiente para garantir o passaporte para outro desafio gigantesco: a Ultramaratona Vale da Morte, que acontece no mês de julho nos Estados Unidos, numa região considerada uma das mais quentes do mundo, com temperatura podendo chegar a 60ºC.

Entre as 33 super mulheres que encararam o desafio na modalidade Solo (individual) da BR153, Cleusa, de 46 anos, foi a terceira colocada. "Jamais imaginei que chegaria ao pódio, eu planejava ficar entre as 15 melhores colocadas", revela.

Três dias depois da prova, ela diz que "a ficha ainda não caiu" e chora toda vez que revê as fotos e relembra detalhes do percurso. Em depoimento ao Jornal Metas, Cleusa se emocionou várias vezes. "A prova foi muito difícil, se eu não tivesse feito toda essa preparação durante 2020, onde fiquei só treinando por causa da pandemia que cancelou minhas outras provas, não teria conseguido", admite.

Cleusacorreu com o apoio de uma equipe de três super atletas: Márcia Eufrásio e Egomar Prochnow, dois ultramaratonistas; e Marino Casagrande, atleta de trilhas e montanhas, além do seu treinador, Itamar Bernadelli, Uma médica também a acompanhou online, orientando quanto à alimentação e reidratação durante a prova. Toda essa logística foi fundamental no momento em que Cleusa passou mal, o que quase a tirou da prova no primeiro dia. Mas, ela provou porque é chamda de Nega Keniana e juntou forças para seguir em frente.

O percurso da BR135 é praticamente todo de subidas e descidas, que inclui a Serra da Mantiqueira. É isto que faz da prova uma das mais desafiantes do planeta. Pela sua performance em outras provas de longa distância no Brasil, Cleusa foi convidada pela organização a participar. A ultramaratonis treinou muito, subindo os morros dos bairros Alto Gasparinho e Belchior. Foram quase dez meses de preparação. Mesmo assim, ela admite que não esperava tantos obstáculos. "As subidas eram intermináveis, eu olhava e não chegava nunca, já nas descidas doía o calcanhar", revela.


Equipe de apoio e a atleta: Marino, Márcia, Cleusa e Egomar

O trajeto da prova é chamado de "Caminho da Fé", onde peregrinos do Brasil e do mundo repetem diariamente um ritual de forte devoção religiosa. Fé, aliás, que não faltou para a atleta, que correu as quase 48 horas apertando em uma das mãos um rosário. Em alguns momentos, conta ela, a conversa era com Deus. "Deus e Nossa Senhora foram muito grandes comigo".

Passando do quilomêtro 100, chovia muito e a lama tomava conta das trilhas. A Nega Keniana admite que, por um instante, pensou em desistir por causa do enorme cansaço. "A cabeça ficou bagunçada", revela. Porém, no minuto seguinte uniu gara e determinação ao lembrar dos filhos, da cidade de Gaspar que estava torcendo por ela, da sua médica, do seu treinador, da equipe de apoio que estava lá para ajudá-la e, finalmente Deus. Cleusa não tem dúvida de que Ele a puxou morro acima e depois morro abaixo. "A gente se pega muito na fé nestes momentos de indecisão", observa.

A equipe de apoio não podia tocar na atleta. O principal trabalho era no psicológico. Faltando 7km para o fim da prova, Cleusa simplesmente desabou, e visivelmente no limite das suas forças disse que não podia mais prosseguir. "Tá muito difícil, vocês não fazem ideia de como é difícil, eu não imaginei que fosse tão difícil", desabafou no vídeo gravado por sua equipe. Mas, aí o "trio de ouro" fez a sua parte. "Pensa na tua garra, na tua determinação, vai só curtindo a paisagem, é hora de curtir a paisagem", motivou Márcia. E a nega Keniana correu, no seu ritmo, mais 6km quando avistou o carro da sua equipe de apoio. "Era uma descida e senti que tava chegando o fim da prova. Sabia que tinha atletas na minha frente e outros atrás, eu pensei: eu não vou chegar em quem está na minha frente, mas também não vou deixar quem está atrás passar". Mais 900 metros, e Cleusa avistou novamente sua equipe de apoio. "A Márcia tava com as bandeiras de Gaspar, do Brasil e dos patrocinadores nas mãos, daí em diante não consegui mais parar de chorar até a linha de chegada. Lembrei de muita coisa nesta hora, daquilo que abri mão por causa da prova, dos dez meses treinando de máscara por causa da pandemia, dos treinos sozinha subindo e descendo morros em Gaspar. dos exames de saúde, das mudanças de alimentação e das vezes que liguei para a minha médica para reclamar do sofrimento que estava passando, mas enfim, foi uma experiência única que jamais vou esquecer", emociona-se a atleta.

Cleusa diz que valeu todo o sacrifício e a preparação, pois ela concluiu a prova sem nenhum problema. "Sem bolhas nos pés, sem unha machucada e sem dor no corpo. Eu simplesmente terminei a prova inteira", afirma.

Segundo ela, o índice conquistado para a ultramaratona Vale da Morte tem validade de dois anos. Portanto, a ideia é correr apenas em 2022, até por causa da pandemia.

Cleusa aproveitou para agradecer a todos que a ajudaram neste grande desafio e nomeia: "Dr Luiz Carlos Brandão, da Cardioprime; Rodrigo Gaulker Suplementos; Ione e Elisângela da WB Esportes; nutróloga e médica especialista em atletas, Maria Vargas; Dehon Farmácia de Manipulação, UltraIta, Piracanjuba Whey. ao treinador Itamar Bernadelli; as personals Grazi e Sônia e Bernardo Spengler, da Gráfica gasparense Subprint, além, é claro, da sua equipe de apoio, verdadeiros "anjos da guarda: Márcia, Marino e Egomar e a toda a cidade de Gaspar que acompanhou e torceu por ela durante a prova.


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