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Perfil.

A receita de um bom árbitro

Há 21 anos, Alcione Censi se destaca apitando futebol amador

Foto: Fotos: arquivo Jornal Metas
Alcione Censi se tornou um dos árbitros de futebol mais respeitados e requisitados no Médio Vale do Itajaí


Fotos: arquivo Jornal Metas/Alcione Censi se tornou um dos árbitros de futebol mais respeitados e requisitados no Médio Vale do Itajaí


A vida de árbitro de futebol não é fácil. Mesmo com toda a tecnologia a serviço das regras, ainda assim, muitas vezes, é o "homem de preto", como era chamado no passado, quem acaba "pagando o pato" pelas derrotas. No futebol profissional, o árbitro é bem remunerado, viaja só de avião, se hospedam em bons hotéis e durante o jogo conta com a proteção policial. Mas, e quando não se tem toda essa estrutura? Qual a motivação para ser árbitro de futebol?

Aos 51 anos, Alcione Censi, morador do bairro Barracão, diz simplesmente que gosta de apitar. Depois de desfilar toda a sua categoria com a camisa do Botafogo do Óleo Grande, no antigo Campo da Cassilda, onde era um zagueiro respeitado pelos atacantes, ele decidiu trocar as chuteiras pelo apito. E olha que ainda dava para jogar mais futebol. Alcione parou de jogar com 30 anos, e não foi por contusão. Ele simplesmente decidiu que era o momento de parar. Ele jogou ainda no Vera Cruz, de Pomerode, e no Poço Grande, de Brusque.

Como toda a boa história de árbitro de futebol, Alcione começou apitando porque sempre os times esqueciam do juiz. Bola no centro do campo e não tinha árbitro. "Comecei apitando jogos de casados contra solteiros aqui mesmo no campo da Cassilda", recorda o árbitro. Era um jogo tradicional e que ocorria a cada dois meses no Barracão.

Nos primeiros anos, ele apitou futebol de campo. O campeonato da extinta Liga Desportiva Gasparense (LDG) e depois na Liga Pomerodense de Desportos (LPD). Em Pomerode, aprendeu muito porque muitos times contratavam jogadores que haviam passado por times profissionais. "Era um campeonato muito disputado", recorda Alcione. Ele também buscou aperfeiçoamento em cursos de arbitragem junto à Federação Catarinense de Futebol (FCF). Chegou a ser sondado para apitar jogos profissionais, mas percebeu que era preciso ser muito mais do que bom árbitro para se destacar. Decidiu, então, que o melhor era seguir carreira no amador.

Hoje, ele apita somente futebol suíço. É um dos árbitros mais requisitados não só para torneios em Gaspar, mas em diversos municípios na região, e procura levar junto sempre outros bons árbitros gasparenses, como o Jean Zunino, Jaca e Anderson Beti, o Binho entre outros. Mas, Alcione admite que o melhor lugar para um árbitro de futebol amador apitar e na sua cidade "Nunca tive problemas em Gaspar, a gente tem uma amizade com os jogadores e muito respeito dentro de campo, nunca precisei fazer boletim de ocorrência", brinca. Não agradar a todos, diz Alcione, faz parte da profissão de árbitro de futebol.

Segundo ele, o jogo fica um pouco mais "pegado" quando um time de Gaspar enfrenta um de outra cidade, como acontece no municipal de futebol suíço. 'Tem sempre uma rivalidade em campo, daí é preciso ficar atento nas divididas de bola".

Talvez o maior "perrengue" que Alcione passou foi na cidade de Indaial, quando foi apitar um jogo entre dois times locais. "O árbitro que me indicou disse para eu não começar o jogo sem policiamento, quando eu cheguei lá não tinha um único segurança. Acabaram me convencendo a iniciar o jogo, mas eu chamei os dois times antes de começar o jogo e falei: na primeira confusão eu termino o jogo e vou embora. Eles entenderam o recado e o clássico transcorreu normalmente, sem atritos", recorda Alcione. Sobre o uso da tecnologia no futebol profissional, ele diz que o árbitro só se complica se quiser. "Tá muito fácil apitar com o VAR". Já no amador, o que ainda vale é o "olhômetro" e aí Alcione mostra porque é um dos melhores da região.


Na final do municipal de suíço, com Binho, prefeito e Júnior


"Nunca tive problemas em Gaspar, a gente tem uma amizade com os jogadores e muito respeito dentro de campo. Nunca precisei fazer boletim de ocorrência".

Alcione Censi


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