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A HISTÓRIA

Ilhota: a primeira e única colônia Belga no Brasil

A colonização no município iniciou com a chegada do colonizador Charles Maximiliano Luiz Van Lede à região


Ainda hoje muitos dos moradores descendem dos primeiros colonizadores belgas / FOTO Reprodução/Livro Encanto dos Belgas no Vale do Grande Rio



Em nenhum outro lugar deste imenso Vale do Itajaí surgiram tantos pontos de interrogações como na pequena Ilhota, cidade de pouco mais de 12 mil habitantes, que faz fronteira com Itajaí, Gaspar, Brusque e Luiz Alves. A colonização do município teve início em 1844, com a chegada do belga Charles Maximiliano Luiz Van Lede e alguns colonos à região. Entretanto, as condições de vida eram as piores possíveis, além do fato que a intenção de Lede do não era colonizar, mas explorar as riquezas minerais encontradas no subsolo da região. Logo, os agricultores belgas se rebelaram e, se não fosse por sua coragem, a história de Ilhota teria seguido outro rumo. Hoje, graças a essa alforria forçada, o município pode orgulhar-se de ser a primeira e única colônia belga a prosperar no Brasil.

Em sua primeira viagem ao país, Van Lede havia se encantado com o Vale do Itajaí. O solo era propício para a agricultura e havia a possibilidade de exploração de minérios. No entanto, ele não teve o seu contrato ratificado pelo governo brasileiro. Van Lede atribuiu a negativa ao episódio anterior com De Jaeger. O belga decidiu lançar-se num projeto próprio, e comprou 9.600 hectares de terras, sendo 6.250 do Coronel Henrique Flores, na época um grande latifundiário no Vale do Itajaí, 2.150 hectares do padre Rodrigues e outros 1.200 de uma senhora de sobrenome Aranha.

Em 4.100 hectares, Van Lede fundou uma pequena povoação que batizou de Ilhota, porque em frente ao local havia uma ilha que submergiu em definitivo na grande cheia de 1911. Em agosto de 1844, 114 imigrantes belgas da região de Bruges, de origem Flamenga, partiram do Porto de Ostende com contrato firmado para cultivar nas terras da futura colônia a 3 francos por dia de serviço. Os problemas de Van Lede começaram antes de chegar ao Brasil.

Segundo relatos, 16 belgas abandonaram o grupo no Rio de Janeiro. Dessa forma, Van Lede não conseguiria cumprir a exigência contratual de trazer 100 imigrantes. Ainda assim, ele não desanimou e iniciou a construção das primeiras 16 casas de madeira que deram origem a aldeia de Ilhota. Em fevereiro de 1845, Van Lede viajou para o Rio de Janeiro e, em maio do mesmo ano, embarcou de volta para a Bélgica, deixando a Colônia aos cuidados de Philippe Fontaine. Em 28 de julho de 1845, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei de criação da Colônia.

No entanto, o clima já era ruim e as desavenças entre a chefia e os trabalhadores só cresciam. O cotidiano dos colonos belgas ficou marcado por uma série de conflitos, trabalho e dificuldades de adaptação. Aprenderam a pescar, caçar, derrubar árvores, construir casas, engenhos de fabricação de farinha, açúcar, e principalmente reivindicar seus direitos. De acordo com as historiadores Ana Luiz Mette e Elaine Cristina de Souza, no livro "Ilhota - Encanto dos Belgas no Vale do Grande Rio" - as discórdias iam desde o descontentamento pelo pagamento maior pelos serviços desmatamento a colonos brasileiros do que aos belgas até escassez de mantimentos. Eram frequentes as rebeliões na colônia, por isso os belgas foram taxados de arruaceiros, brigões e malandros. 


Descrição e esboço da colônia belga na região de Itajaí / FOTO: Reprodução dos Açores al Zaires, de Patrick Marselis/2005



O difícil começo em ambiente hostil

Gonçalves, neto de uma jovem belga, descreve as condições de vida dos imigrantes: "Se por um lado, viver na Europa estava difícil em virtude dos vários conflitos e a pobreza que assolava as família europeias, viver na cocanha brasileira, também não era tarefa fácil nas primeiras décadas de colonização, onde as condições climáticas, os animais selvagens e serpentes espalhavam-se por toda a região".

Diante do ambiente hostil, Fontaine também decidiu retornar à Bélgica, deixando os imigrantes sem rumo. Antes de partir, destruiu todos os documentos e ainda exigiu que os colonos assinassem um termo

confirmando terem recebido as terras e toda a infraestrutura necessária para se estabelecerem. Nessa época, a colônia era formada por 63 pessoas. A direção da Colônia passou então para Gustave Lebon, que também teria desistido meses depois. A embaixada da Bélgica também negou ajuda. A vida na colônia só prosperou graças ao trabalho dos imigrantes.

Em 1874, um fato novo tirou o sossego dos moradores. Os herdeiros de Van Lede reivindicaram a posse das terras. O Cônsul da Bélgica no Desterro, Henry Schutel, também colaborou para o conflito ao valer-se de uma procuração de Van Lede para negociar alguns terrenos. Não bastasse estes dois fatos, em 1889 o Hospital de Bruges requereu parte das terras da colônia deixadas por Van Lede em testamento. Quando o procurador Van Dal iniciou o trabalhos de medição das terras, mais de 80 moradores de Ilhota e das vizinhanças, todos armados, o agrediram, apoderaram-se de seus instrumentos e o expulsaram de Ilhota. O Ministério da Bélgica pronunciou-se e favor dos colonos e a pendência foi encerrada.


As terras de Ilhota em meados do século passado / FOTO Reprodução dos Açores al Zaires, de Patrick Marselis/2005



Localização

O município de Ilhota faz parte da região do Baixo Vale do Itajaí. Situa-se numa posição estratégica devido a proximidade com o Porto de Itajaí, Aeroporto de Navegantes e entre grandes centros industriais e turísticos como Blumenau e Balneário Camboriú.

Relevo

Apresenta extensas áreas de várzeas e planícies sedimentares, entremeadas de morros, altitudes de seis a 819 metros acima do nível do mar. O município tem um dos picos mais altos da região, denominado Morro do Baú, com 819 metros.




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