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Gaspar 85 anos de solidariedade



Mãos que acolhem


Segundo o Dicionário Informal, bondade é a "inclinação ou tendência natural de uma pessoa fazer o bem". A maioria delas pratica a bondade no seu dia a dia, por intermédio de gestos corriqueiros, como ceder o acento para um idoso, auxiliar um deficiente físico a atravessar uma rua ou simplesmente com palavras de carinho e afeto. São situações comuns, que passam despercebidas a maioria das pessoas. Outras, porém, vão além do gesto cotidiano de prestar auxilio momentâneo. Elas doam também parte do seu tempo para ações contínuas e organizadas de ajuda ao próximo. ara o paróco da igreja Matriz São Pedro Apóstolo, Frei Paulo Moura, as pessoas podem fazer o bem ao próximo de várias maneiras, por meio de atos concretos. "A bondade é uma tentativa de ajudar alguém, seja dando-lhe um emprego, comida, roupas, acolhida ou mesmo uma palavra positiva de estímulo.
Na opinião do religioso, os gasparenses, com certeza, carregam esse sentimento da ajuda mútua. "A nossa cidade tem recebido muitas pessoas de fora, que para cá vem atrás de oportunidades e são muito bem acolhidas pelo povo. Vejo esses gestos de bondade, caridade e generosidade se manifestarem muito fortemente no povo gasparense", afirma
O caderno do Jornal Metas, que celebra os 85 anos de Gaspar, tem como temática a bondade, generosidade, doação e voluntariado. São pessoas da nossa cidade que reforçam o exército de mais de 7 milhões de brasileiros que hoje praticam o voluntariado. Esse número já foi maior, por isso, os exemplos aqui apresentados vão motivar mais pessoas a iniciar ou retomar o caminho do voluntariado.
Os últimos levantamentos feitos pela Charities Aid Foundation (CAF), instituição com sede no Reino Unido e que no Brasil é representada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), mostra que o Brasil vem caindo no ranking do World Giving Index, depois de ter alcançado a segunda melhor posição da sua história: 68º colocado em 2015. Na classificação de 2018, que mede as ações realizada em 2017, o Brasil despencou para o 122º lugar num ranking de 150 países, tendo, inclusive, ficado com o título de pior colocado na América Latina, perdendo até para a Venezuela. O ranking mede a solidariedade da população destes países em três modalidades: doação em dinheiro, ajuda a um desconhecido e voluntariado.
 


"A desconfiança nas instituições é um dos fatores inibidores". ANDRÉA WOLFFENBÜTTEL, ASSESSORA DE COMUNICAÇÃO DO IDIS


Terá sido a crise que afetou o espírito solidário dos brasileiros? Para Andrea Wolffenbüttel, diretora de Comunicação do Idis, em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, não se pode creditar às crises econômica e política essa queda brasileira no ranking.
"Talvez, o mais adequado seria perguntar: o que bloqueia a nossa solidariedade? Por que vivendo em um país tão desigual, que atravessa um período tão difícil, não nos tornamos mais solidários?".
No entender de Andrea, a desconfiança é um dos fatores inibidores. "Esse fenômeno não é exclusividade nossa. No mundo inteiro a confiança nas instituições está caindo, mas o problema é que aqui ela cai sem nem antes ter conseguido ficar de pé", observa.

Crescimento
Se por um lado, o Idis aponta queda no voluntariado no Brasil, a Outras Formas de Trabalho 2017, pesquisa divulgada no primeiro semestre de 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela um aumento no Terceiro Setor. De acordo com o levantamento, 7,4 milhões de pessoas realizaram trabalho voluntário no Brasil, o equivalente a 4,4% da população de 14 anos de idade ou mais. O aumento foi de 12,9% em comparação a 2016.
Os dados são baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua)
O perfil dos voluntários no país é prioritariamente de mulheres que têm uma série de atividades extras, além de trabalho e afazeres domésticos. Os que desenvolviam atividades voluntárias em 2017 eram 5,1% das mulheres e 3,5% dos homens, fato observado em todas as grandes regiões.
Para analisar a intensidade do trabalho voluntário, o IBGE considera a média de horas despendidas na semana em tais atividades. Em 2017, a média foi de 6,3 horas semanais, inferior às 6,7 horas no ano anterior. A região com maior média de horas foi a Norte (7,1 horas) e a com menor média, a Sudeste (6 horas). A única região com aumento da dedicação ao trabalho voluntário foi justamente no Sul. A região Norte ficou estável e as demais tiveram queda.

Detalhamento
A quantidade de horas dedicadas ao trabalho voluntário é equivalente entre os homens e as mulheres. A dedicação ao trabalho voluntário é maior entre os que têm uma ocupação (4,7% do total) do que entre os não ocupados (3,9%).
Em relação à idade, a participação nessas atividades é maior entre as pessoas mais velhas: em 2017, 2,9% dos que têm 14 a 24 anos faziam trabalho voluntário; a proporção sobe para 4,6% entre os de 25 a 49 anos; e para 5,1% entre os que têm 50 anos ou mais. Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, a maior taxa foi a do grupo de pessoas de 25 a 49 anos de idade (6,9% e 3,6%, respectivamente).
Se considerado o grau de escolarização, a participação é maior entre os que têm nível superior completo (8,1%) do que os que não têm instrução ou têm o fundamental incompleto (2,9%). Para a analista de Trabalho e Rendimento do IBGE, Alessandra Brito, este aumento "pode ser por causa do maior acesso à informação da população graduada, que sabe onde realizar esse tipo de trabalho, uma vez que as pessoas com nível superior completo costumam estar melhor inseridas no mercado, com mais tempo livre, e podem por isso mesmo ter uma maior conscientização frente aos menos escolarizados".
A maioria dos que desempenham trabalho de voluntariado mantém vínculos com instituições, 91% do total. Pelos dados, 79,8% das pessoas que realizaram trabalho voluntário o fizeram em congregação religiosa, sindicato, condomínio, partido político, escola, hospital ou asilo.

 


Gaspar: 85 anos fazendo o bem


O que faz com que tenhamos vontade de ajudar alguém que não conhecemos, de doar dinheiro para organizações sociais ou dedicar horas do tempo para um trabalho voluntário? A resposta está na satisfação que cada um tem ao praticar algum tipo de ação ou atitude sem pretender nada em troca.
O ser humano, por sua característica de vivência em comunidade, tende a praticar o bem, a ser solidário e generoso para com o próximo. Todavia, muitas vezes a própria sociedade inibe as pessoas de praticarem a solidariedade. A descrença nas instituições é fator determinante para esse afastamento, assim como a discrição de quem pratica. A sensação é que muitas pessoas gostam de ajudar, porém, não gostam que outros saibam, criando assim uma espécie de "lei do silêncio", que impede de disseminar e incentivar este tipo de atitude na população.
Gaspar, sempre se disse, é um povo acolhedor e porque não afirmar também de pessoas que fazem o bem. São inúmeras as manifestações do povo gasparense que comprovam essa característica ao longo da sua história. As frequentes tragédias climáticas são provas inquestionáveis da bondade e generosidade do povo gasparense para com os necessitados e desamparados.
Diante dessa constatação, o Jornal Metas quis homenagear, nos 85 anos de Gaspar, algumas dessas pessoas que tornam a vida de outras bem menos sofridas. E ao homenagearmos, contando a história desses personagens, estendemos nossas homenagens aos milhares de moradores da cidade que diariamente praticam a solidariedade. São pessoas que abrem mão de algumas horas de lazer com a família para ajudar outras famílias.
E quando questionados sobre o porquê deste engajamento, a resposta é a mesma: "não tem preço ver a satisfação das pessoas que recebem ajuda". De fato, a recompensa da gratidão é o combustível que movimenta esse grandioso exército de pessoas que praticam o bem.
E se vamos falar em solidariedade, aqui vai um sincero agradecimento dos gasparenses e não gasparenses à cidade que tão bem nos acolhe e nos faz feliz. Obrigado, Gaspar, que venham outros 85 anos de muita solidariedade.
 



A eterna voluntária de Gaspar

Dilsa Spengler, a dona Dica, é uma das mais atuantes voluntárias da cidade 



Talvez o nome Dilsa Spengler soe um tanto quanto estranho... mas você certamente conhece ou pelo menos já ouviu falar da "dona Dica", não é mesmo? E não poderíamos falar em solidariedade e doação ao próximo sem contar a sua história. Aos 85 anos de idade, a eterna voluntária gasparense ainda tem disposição de sobra para ajudar a comunidade. Foi ainda criança, quando morava no bairro Poço Grande com a família, que Dica começou a "dar uma mãozinha" para os outros. "Minha mãe pedia para eu ajudar os vizinhos. Lembro-me de que com apenas 14 anos dei banho em um recém-nascido", orgulha-se. O tempo foi passando e a vontade de ajudar as pessoas só cresceu no coração de dona Dica - sentimento que até hoje pulsa forte em suas veias.
Aos 16 anos, ela entrou para o grupo "Filhas de Maria", na época vinculado à Paróquia São Pedro Apóstolo. Segundo ela, foi quando se tornou oficialmente uma voluntária de toda a comunidade. "Entre tantas atividades, uma das atribuições do grupo era contribuir com a organização da Festa de São Pedro. Lembro de ajudar a lavar as galinhas na beira do rio Itajaí-Açú", recorda. Hoje, quase 70 anos depois, ela ainda é voluntária no evento e integra a equipe da cozinha.

Aos 20 anos, dona Dica se casou e se mudou para o bairro Sete de Setembro onde, ao lado do marido, Evaristo Spengler, começou a formar sua própria família. Mas nem mesmo os afazeres domésticos e os cuidados para com as quatro filhas fez com que ela abandonasse o serviço social. Muito pelo contrário: dona Dica passou a acumular ainda mais funções.
Tornou-se catequista, ajudou a fundar a Rede Feminina de Combate ao Câncer em Gaspar e passou a fazer parte do Lions Clube. A primeira atividade ela exerceu por mais de 50 anos e até hoje continua com os trabalhos nas duas entidades, além de ajudar na Conferência Vicentina. Soma-se a estas tarefas voluntárias o cargo de ministra na Igreja São Pedro Apóstolo e também a tarefa de levar a comunhão aos enfermos.
Uma das ações do Lions Clube é ceder, em forma de comodato, equipamentos à comunidade, como cadeiras de rodas, bengalas, andadores, camas hospitalares, entre outros. E é na casa de Dona Dica que o material fica guardado. Sendo assim, o telefone toca constantemente e pessoas vão diariamente até sua casa em busca dos equipamentos. "Se eu me incomodo com isso? Imagina... faço tudo com muito amor", garante.


Necessário
A doação ao próximo, segundo Dica, é um caminho que todos deveriam seguir. "Não me arrependo de ter dedicado minha vida a ajudar os outros. A solidariedade é algo necessário. Faço pelo desejo de fazer o bem, não quero ser melhor do que ninguém. O que a mão direita faz, a esquerda não precisa saber", ensina.
E, para Dica, a vitalidade aos 85 anos de idade está diretamente ligada a esta doação. "A mente funciona tão bem até hoje porque tenho estes trabalhos. Essas atividades me trazem alegria e me revigoram", diz. E, se depender apenas dela, essa jornada ainda vai longe. "Enquanto eu estiver lúcida e viver sempre vou continuar ajudando", garante a simpática gasparense.

 


Linhas e lãs que aquecem corpo e alma

A aposentada Irene Demmer dedica seu tempo para fazer peças de tricô e crochê para doar a idosos 



Muito mais do que manter os idosos quentinhos durante a estação mais fria do ano, a moradora do bairro Bela Vista, Irene Demmer, aquece os corações de quem reside nos asilos da região. Aos 85 anos ela nem pensa em abandonar suas duas grandes paixões e utiliza o tempo livre para exercitar seus dotes no que sabe fazer de melhor: tricô e crochê. A atividade, porém, não é apenas um passatempo para a gasparense... ela também representa ainda a preocupação de Irene com o próximo.
Há cinco anos, ela confecciona, voluntariamente, cachecóis, luvas, mantas, toucas e polainas para serem doados a abrigos, casas de repouso e asilos. Irene explica que a grande parte da matéria-prima que utiliza em suas produções é doada por uma empresa da cidade e ela aproveita o gesto para transformar as linhas e os fios de lã em amor e carinho. "Eu sempre quis fazer algo para ajudar alguém. O coração da gente é outro quando fizemos isso. Ele se enche de amor... não há mais lugar para o rancor", emociona-se.
Por isso, Irene faz questão de entregar as doações pessoalmente e, quando a produção é finalizada alguém sempre a leva até a entidade que será beneficiada. "Os idosos esperam ansiosos pela visita e é muito bom poder fazer isso por eles. Receber o presente é uma alegria para eles, mas a felicidade maior certamente é minha", diz. A gasparense revela que alguns até se oferecem para pagar pelos produtos. "Imagina se eu vou aceitar algum pagamento... eu faço isso por amor".



Dona Irene já perdeu conta de quantos cachecóis doou, mas lembra de ter visitado mais de 15 asilos durante estes cinco anos. "Fui a Blumenau, Luiz Alves, Gravatá, Camboriú...", recorda-se. Recentemente, ela produziu 100 peças que foram sorteadas em um bingo promovido em prol do Hospital de Azambuja. Quem comentou sobre a ação com Irene foi uma prima. "Aí eu pensei: se eles podem fazer isso lá, por que não fazemos um evento para ajudar o Hospital de Gaspar", conta. Irene levou a ideia adiante e, em parceria com o grupo Fios da Meada organizou o evento na cidade, que foi realizado na terça-feira (12). "Enquanto eu tiver saúde, vou continuar com a produção e doação. A minha parte eu estou fazendo, é tão bom ajudar, não é mesmo?". Irene relembra que o tricô e o crochê entraram em sua vida por uma questão de necessidade e, logo, se tornaram uma paixão. "Logo depois que casei, comecei a fazer tricô e crochê para completar a renda da família, pois meu marido ganhava pouco", recorda-se. Irene diz que aprendeu a técnica sozinha, fazendo, desmanchando e refazendo os produtos. Logo, ela se tornou experiente no assunto e passou a dar aulas na cidade - profissão a qual se dedicou até a aposentadoria. Hoje, a gasparense produz entre dois e três cachecóis por dia - já as mantas são mais demoradas e levam até três dias.

 


Ela ajuda a salvar vidas

Desde 2010, Adriane Zimmermann atua voluntariamente no pelotão do Corpo de Bombeiros Militar de Gaspar



Em meados de 2008, quando deixou a cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul (RS), para viver em Gaspar, Adriane Zimmermann, 39 anos, não podia imaginar que, quatro meses depois, o município e a região do Vale do Itajaí seriam atingidos pela catástrofe climática de novembro. Adriane não só testemunhou a tragédia como também foi uma das vítimas da grande enchente. Ela recorda que, na época, residia no bairro Coloninha e teve que deixar a casa às pressas devido aos alagamentos. "A água subiu muito rápido, era de madrugada e deixei o local em um bote, com a ajuda da equipe do Corpo de Bombeiros", lembra.
Este foi o estopim para Adriane se tornar uma bombeira comunitária - pessoas formadas e treinadas pelos bombeiros militares, que prestam serviços voluntários na instituição. "Foi o auxílio que recebi naquela enchente que despertou em mim o interesse de também ajudar a comunidade", diz. Ela foi atrás de informações e descobriu que, para se tornar uma bombeira comunitária, teria que se inscrever em um curso. "Em 2010 abriu uma nova turma em Gaspar e aproveitei a oportunidade", lembra. Desde a formatura, há nove anos, até os dias de hoje,
Adriane atua - sem interrupções - junto ao pelotão gasparense. "Escuto de algumas pessoas que sou doida por trabalhar de graça e ainda arriscar a minha vida, elas dizem que nunca fariam isso. Mas eu faço porque gosto de ajudar o próximo. Me sinto feliz e parece que quando fazemos o bem isto nos fortalece, nos dá mais forças para enfrentarmos nossos problemas", finaliza a bombeira.



Adriane é brigadista e por trabalhar em horários alternativos, principalmente nos fins de semana, ela consegue cumprir escalas semanalmente no Corpo de Bombeiros de Gaspar. Além disso, desde o ano passado, ela também é voluntária na Central de Operações (Cobom) do 3º Batalhão de Bombeiros Militar, em Blumenau, onde caem todas as chamadas de emergência.
"Nunca me passou pela cabeça parar de ajudar. Diz o ditado que devemos amar o próximo como a ti mesmo. Então, não interessa como ou de que forma, mas todos deveriam fazer algo neste sentido", avalia.
Apesar de ter que enfrentar várias situações tristes, como uma das primeiras ocorrências que participou em Gaspar, Adriane garante que a doação vale a pena.

Vale a pena
"Logo que comecei meu trabalho voluntário no pelotão gasparense fomos acionados para socorrer uma criança, de seis anos, que havia caído em uma piscina. Conseguimos reanimá-la mas no hospital ela teve a morte cerebral confirmada. Foi muito triste e lembro desta situação até hoje. Porém, há tantos casos onde conseguimos salvar vidas que todo esforço vale a pena. Estarei sempre disposta a ajudar".

 


Das brincadeiras na rua para o reforço no aprendizado

Uma vez por semana, a advogada Janaína transforma-se em professora para dar aulas de reforço para as crianças do bairro




Todas as noites de quarta-feira, a advogada Janaína de Souza Sigel, 36 anos, abre as portas de sua residência para receber uma turminha prá lá de animada. Mas, apesar da empolgação, os encontros com as crianças vão muito além da diversão. Semanalmente - e sem cobrar nada - Janaína reserva pelo menos duas horas do seu dia para dar aulas de reforço aos pequenos estudantes. Matemática, português, geografia, ciências... as disciplinas e os conteúdos explorados são definidos conforme a necessidade e dificuldade dos alunos. A ação voluntária da advogada teve início neste ano e conta com a participação de crianças que residem no bairro Sete de Setembro, onde Janaína mora. "Qualquer aluno que precisar de ajuda ou que tenha vontade pode participar das aulas", garante.
A "professora" explica que tudo começou no ano passado, quando ela decidiu se envolver com as crianças da rua onde mora para aliviar o seu próprio estresse. "Comecei a brincar com elas de pega pega, mata soldado, entre outras atividades comum na infância", recorda. Mas, em dezembro, Janaína soube que algumas crianças haviam reprovado de ano na escola. "Então, em vez de ir para a rua brincar com elas, decidi que disponibilizaria um pouco do meu tempo para ajudá-las", ressalta.
E a iniciativa da professora Jana, como é carinhosamente chamada pelos alunos, já deu resultado na sala de aula. "É muito gratificante as crianças chegarem na minha casa falando que tiraram nota 9, nota 10 na prova. Ouvir isso delas não tem preço", emociona-se. Mas quem pensa que Janaína alivia com os alunos, engana-se. Ela conta que as crianças recebem deveres para fazer em casa e também são submetidas a provas para ver se as aulas estão surtindo efeito. "Para motivá-los, quem se destaca ganha um pequeno presente", revela.
Um de seus alunos, Elias Soares Chagas, de nove anos, não escondia a felicidade de ter recebido um 10 em uma prova de matemática na escola. E não poupou elogio às aulas na casa da professora Jana. "Eu tinha dificuldade em matemática e as aulas de reforço ajudaram. Adoro participar dos encontros, a professora dá bala e doces", diz. Gabriel de Freitas Santos, de 9 anos, também aprovou a ideia. "É muito legal, a gente aprende mas também se diverte".

Janaína conta que sempre gostou de ajudar o próximo mas, até começar a dar as aulas voluntariamente, sua contribuição à comunidade acontecia de forma esporádica. "Eu doava uma ou outra cesta básica e visitava abrigos e asilos", diz. Mas, agora, a advogada quer fazer a diferença na vida destas crianças. "Quero contribuir com o aprendizado delas, pois acredito que o futuro do Brasil depende dos pequenos", afirma.
Janaína diz não se importar com a não remuneração. "Acredito que todas as pessoas vieram à terra com o propósito de ajudar o próximo. A vida não tem sentido se não fizermos o bem ao outro. Esta deve ser a essência da nossa existência: nascer e crescer contribuindo com o próximo", ensina.



Inspiração
E não é que o exemplo da advogada já inspirou outras pessoas em Gaspar? Na próxima segunda-feira (18), a fotógrafa - e cunhada de Janaína - Jaine Cristina Vitorino de Souza, 25 anos, dará início às aulas de inglês. Também de forma voluntária, ela irá ensinar o novo idioma para as crianças. "Minha inspiração veio totalmente do gesto da Janaína. Como fiz cursos de inglês e falo o idioma fluentemente, decidi que também poderia ajudar. Nas escolas públicas as crianças começam a ter aulas de inglês somente a partir do quinto ano", afirma. Jaine diz que sabe o quanto o idioma é importante para o futuro dos pequenos e, por isso, resolveu dar início às aulas. "É uma evolução pessoal, pois faz muito bem para nós saber que podemos ajudar as pessoas".

 


Ação difunde o conhecimento

Na rua Angelina Motter, comunidade pode pegar livros em uma geladeira improvisada de biblioteca e levá-los para ler em casa




Já dizia Voltaire... "a leitura engrandece a alma". A frase do pensador iluminista francês resume o potencial dos livros na vida de uma pessoa. Durante a leitura, somos submetidos a um universo repleto de descobertas, encantamento e diversão. O livros abrem as portas para a imaginação e conhecimento. E foi a importância do hábito de ler que motivou o advogado Ricardo Wanzynack de Souza, 34 anos, a dar vida ao projeto "Alimente seu conhecimento" em Gaspar. Com a ajuda da esposa Jaine e da irmã Janaína - aquelas que decidiram dar voluntariamente aulas de reforço para crianças - ele transformou uma geladeira danificada em uma ferramenta para o saber. A ação solidária teve início com a doação do eletrodoméstico pela refrigeração onde ela estava esperando pelo conserto. "Como o motor da geladeira havia queimado, não valia a pena arrumar", conta Ricardo.
O eletrodoméstico, agora "recheado" com obras, está acessível à comunidade na rua Angelina Motter, no bairro Sete de Setembro, em frente ao estúdio fotográfico de Jaine. "Nossa ideia é que todos possam parar no local, abrir a geladeira e escolher um dos materiais para ler", explica Ricardo. Não há custo e os leitores podem levar as obras para casa. "Nosso objetivo é fazer os livros circularem entre as pessoas. Ficaríamos muito felizes se, no fim do dia, a geladeira estivesse vazia", diz.
Os materiais que deram o pontapé inicial ao projeto também foram doados por Ricardo, Jaine e Janaína. Amigos e familiares também contribuíram com a doação de algumas obras. "Separamos os livros didáticos para Janaína e Jaine utilizá-los nas aulas de reforço. Já as obras literárias, gibis e revistas ficam na geladeira", explica o advogado. Ele confessa que o trio abriu mão de algumas obras "de estimação". "Nos desapagamos de alguns livros para passar o conhecimento adiante", ressalta. Na geladeira, há material destinado para todas as idades.
Ricardo explica que a ideia do projeto surgiu no fim do ano passado, quando ele e a família foram viajar. "Tinha uma dessas geladeiras no aeroporto e, apesar de achar a ideia muito legal, eu, a Jaine e a Janaína chegamos a conclusão de que na rua ou em comunidades a iniciativa teria mais resultados", afirma. No retorno das férias, eles colocaram a "mão na massa". "Precisamos incentivar a leitura, fazer com que as pessoas fiquem, por exemplo, menos tempo no celular. Não importa se o leitor irá passar o livro para outra pessoa ou devolvê-lo à geladeira, nossa vontade é que eles façam as obras circularem".

 




Voluntários pelo bem da comunidade

Projeto "Aqueça uma Alma" ajuda famílias carentes há dois anos em Gaspar



Há dois anos, Emerson Vieira da Silva, morador do Gaspar Mirim, decidiu que precisava fazer alguma coisa para ajudar as pessoas carentes durante a estação mais fria do ano. Mas, o que começou como uma simples campanha do agasalho, em 2017, se transformou em um importante projeto social. Hoje, o "Aqueça uma Alma" não arrecada apenas roupas e calçados - os voluntários aceitam a doação de qualquer material que possa ser útil à comunidade. Móveis, colchões, louças... tudo é reaproveitado e destinado para quem precisa de ajuda. E as doações às famílias são feitas por meio de mutirões nos bairros da cidade. Antes, todo o material passa por uma cuidadosa triagem.
Mas a dinâmica do projeto nem sempre foi assim. Quando Emerson iniciou a campanha, ele, com a ajuda da mãe, Vilma, e da irmã Elaine, levava as doações até as pessoas necessitadas. "Teve um dia de frio intenso que o Emerson encontrou um morador de rua vestido apenas com uma bermuda e regata. Então, nós separamos alguns agasalhos e um cobertor e levamos até ele", recorda Vilma. Durante um ano, cenas como essa se repetiram muitas e muitas vezes até que os voluntários já não davam mais conta de distribuir as doações. "Além da falta de tempo para ir a todos os lugares, os gastos com a gasolina também se tornaram muito alto", explica Vilma, que trabalha como faccionista em sua própria residência.



A agente de saúde Cristiane Springer Rodrigues, 33 anos, vizinha da família Silva, aceitou o convite para se juntar à equipe voluntária. do "Aqueça uma Alma". Foi ela quem deu a ideia de iniciar os mutirões. "Durante muitos anos, minha mãe foi presidente de uma associação de moradores em Blumenau e lá era assim que eles faziam as doações. Então eu trouxe essa ideia para o projeto", explica. Segundo Cristiane, para realizar o mutirão são necessárias pelo menos duas mil peças. "Fazemos a tiragem do material recebido e separamos as peças em adulto e infantil, masculino e feminino. As roupas que não tem conserto são doadas para os abrigos de cães", revela. 

A agente de saúde diz que aceitou o convite para se juntar à causa diante da realidade que encontra em muitos lares durante seu trabalho. "Uma vez, cheguei em uma casa e a criança usava um pano no lugar da fralda e roupas feitas com sacolas plásticas. Não consigo achar normal saber que tem famílias passando por tanta necessidade e não fazer nada para ajudá-las", emociona-se. Cristiane sabe bem o quanto é importante receber apoio. Em novembro de 2008, quando Gaspar foi atingida pela catástrofe climática, ela e a família perderam tudo e, durante três anos, moraram em um abrigo. "Hoje, a missão do projeto é ajudar o próximo e é muito gratificante poder fazer parte disso. As pessoas nos abraçam, nos agradecem... é tanto carinho que recebemos. Se temos condições de fazer a diferença na vida de alguém, por que não fazer?", questiona.



Iniciativa
Quando Emerson falou da ideia para sua mãe, Vilma não pensou duas vezes. "A única coisa que eu disse para ele foi: eu quero ajudar". E a família continua unida na causa até hoje. É na casa de Vilma - onde também residem Emerson e Elaine - que as doações são recebidas e separadas. Com seu Fiat Palio, a mãe de Emerson percorre a cidade buscando os materiais que as pessoas doam para o projeto. "Acredito que foi Deus quem colocou este projeto na vida do meu filho. A gente só quer ajudar, fazer a nossa parte", ressalta.
Emerson não consegue segurar as lágrimas ao falar sobre o projeto e ver o quanto já foi feito. "Nossa família teve que enfrentar muitas dificuldades na vida e sempre fomos ajudados. Sei que hoje há pessoas que precisam de muito mais", diz. Ele perdeu o pai, Valdir Vieira da Silva, há 20 anos e sua mãe teve que criar sozinha os três filhos, ainda pequenos. "Foi o apoio que recebemos naquela época que despertou o sentimento de solidariedade em mim. Só quem precisa e recebe a ajuda sabe o quanto isso é importante". E, para Emerson, esta é a missão do ser humano. "Todos deveriam olhar para o próximo. Hoje você pode estar bem, mas amanhã em dificuldade. E sempre haverá alguém para estender uma mão a você", finaliza.

 


O melhor amigo dos cães

Rogério da Silva, 54 anos, dedica a vida a cuidar dos animais



Já diz o ditado popular: "o cão é o melhor amigo do homem". E se tem alguém que sabe bem o que esta frase significa é o morador do bairro Gaspar Grande, Rogério da Silva. Aos 54 anos, ele ainda dedica a vida a cuidar dos "peludos" - maneira como ele carinhosamente chama seus 138 cães. No lar de Rogério, os animais - que foram vítimas de abandono e maus tratos - encontram carinho e proteção. "Aqui eles ganham comida, água e respeito", garante o defensor dos animais.
Rogério, que foi criado no sítio dos pais, explica que desde criança convivia com cavalos, bois, vacas e porcos. E, quando trabalhava na rizicultura com a família, ele tinha o hábito de levar para casa cães que ele encontrava "perambulando" pelas ruas da cidade. "Sempre fui apaixonado pelos animais", ressalta.


O tempo passou e Rogério teve outros empregos na cidade, mas nunca deixou de acolher e cuidar dos cães. Hoje, mesmo doente - ele sofre com crises de pânico e pressão alta - o gasparense doa todo o seu tempo para os animais. "É um amor que vem desde criança. Não me arrependo de me dedicar a eles, apenas lamento não poder fazer mais", emociona-se. Ele confessa que foi depois de se decepcionar com algumas pessoas que decidiu intensificar os cuidados aos animais. Hoje, Rogério cuida dos cães com a ajuda da esposa, Solange. Na propriedade do casal, Bingo, Thor, Faustão, Mel... nunca ficam sozinhos. A rotina de cuidados inicia logo cedo, após o café da manhã. Após ganharem comida e água, o peludos passam por uma "inspeção" para saber se estão todos bem. "Eu não passeio, não viajo e deixo de ir em eventos para ficar com eles. Mas não tenho do que me queixar, eles são minha felicidade", afirma Rogério.



Cada cão abrigado na residência tem um nome - Rogério sabe cada um deles - e suas histórias de vida, a maioria deles sofreu maus-tratos ou simplesmente foi abandonado na frente do sítio do casal. Cães com as patas quebradas, outros com queimaduras, feridas e muitos deles doentes. O gasparense diz que não há no mundo motivo que o faça abandonar os animais. "Nao trocaria eles nem por ouro nem por dinheiro algum. Não existem palavras para descrever o amor que os homens recebem dos cães", ressalta.
Apesar das dificuldades - Rogério depende de doações para conseguir a ração e medicamentos para os cães - ele garante que todo o esforço vale a pena. "Eu vivo com muito pouco e sou feliz assim. O importante é ter amor pelo que faz. Não me canso de repetir que devemos sempre fazer o bem, sem olhar a quem", completa.

 


Lições de cidadania sobre quatro rodas

Projeto idealizado por João Gabriel Darós oferece aulas gratuitas de skate a crianças



Quem passa pelo Ginásio João dos Santos, no bairro Poço Grande, durante as noites de quarta-feira percebe a grande movimentação de crianças na pista de skate que existe no local. Muito mais do que se aventurar nas manobras sobre as pequenas rodas, os jovens recebem lições de cidadania e aprendem valores como disciplina e respeito. Os encontros fazem parte do projeto "Amigos do Skate" - uma atividade voluntária que teve início em Gaspar há oito anos. As aulas são totalmente gratuitas e destinadas para crianças a partir dos cinco anos. Quem teve a ideia em colocar em prática a ação foi João Gabriel Darós, 34 anos. Idealizador e primeiro monitor do projeto, ele explica que a iniciativa surgiu para reivindicar à prefeitura a reforma da pista, que estava abandonada e sendo utilizada por usuários de drogas. Em troca da melhoria, o jovem se comprometeu com o projeto social e totalmente voluntário. "Nestes oito anos, nunca deixei de estar presente em nenhuma aula", diz.




Quando levou a ideia para a Assessoria da Juventude de Gaspar, Gabriel confessa que não tinha certeza se a iniciativa daria certo. "Recebi o apoio da prefeitura com a reforma da pista, mas também ouvi de algumas pessoas que, quando o projeto é voluntário, ele não consegue ter uma sequência, pois a empolgação inicial fica pelo caminho", revela. Mas não foi o que aconteceu com o Amigos do Skate, que se fortalece a cada ano.

Corrente do bem
A força do projeto, segundo Gabriel, deve-se à solidariedade dos outros monitores, que dão condições para que as atividades possam continuar a serem realizadas. "Desde o início, esta foi a ideia: que os antigos alunos do projeto se tornassem monitores", revela. Hoje, são seis "professores" - entre eles dois dos cinco nomes mais fortes do esporte no Estado: os jovens Carlos Narcizo e Gregory Martins, que foram, inclusive, revelados pelo projeto. Vale lembrar que nenhum deles recebe para dar as aulas.
"Não temos nenhum retorno financeiro com o projeto e esta não é a nossa intenção. Nosso desejo é transformar a vida destas crianças, promovendo a socialização e fortalecendo valores", ressalta. João explica que as crianças aprendem a ter disciplina e respeito com os outros alunos. A família também ganha lugar de destaque na ação. "Sempre procuramos envolver os pais no projeto e, felizmente, a resposta tem sido muito positiva. Contamos com grande apoio deles", comemora João.



Apesar de todas as dificuldades - típicas do trabalho voluntário - João diz que vale a pena todo o esforço. "É muito gratificante pode fazer parte de um projeto como este, a gente evolui muito. Às vezes estamos cansados do trabalho, mas quando chegamos na pista a energia das crianças é tão boa que esquecemos de tudo", admite.
João revela que o projeto está em busca de novidades. "Nosso desejo é levar o Amigos do Skate para dentro das escolas", projeta.

 


A simpática benzedeira Osvaldina

Aos 88 anos, ela ainda é uma das mais requisitadas para o trabalho voluntário que realiza há quase 70 anos




Durante muito tempo, a primeira opção de cura para as pessoas foi o ato de benzer. Hoje, a medicina está acessível a todos, mas houve um tempo em que o acesso a ela era muito difícil, principalmente no interior. Foi assim que as benzedeiras ganharam força entre as comunidades. É por meio de orações e palavras dedicadas a Deus que elas pedem proteção e interferência divina para as pessoas que estão sendo benzidas. A palavra benzer vem do Latim "benedicere", que significa abençoar e dizer o bem.
Apesar dos tempos serem outros, a tradição não se perdeu. Hoje, muitas pessoas ainda recorrem a estas orações quando não estão se sentindo bem. Na casa de Osvaldina Rodrigues da Silveira, no bairro Gaspar Grande, a procura pela benzedeira é constante. E, aos 88 anos, mesmo com a saúde já um pouco debilitada, ela não deixa de atender - voluntariamente - quem procura por sua ajuda. "Eu gosto de fazer o bem e me sinto muito feliz em poder ajudar as pessoas. Por isso, não deixo ninguém ir embora sem receber a oração", diz.
Osvaldina revela que é procurada por pessoas de todas as idades e que costuma benzer muitas crianças e recém-nascidos - sempre sem cobrar nada em troca. "Durante todos estes anos, nunca cobrei nada de ninguém. Algumas pessoas me procuram desesperadas, com muita dor. Minha maior alegria é saber que pude aliviar um pouco este sofrimento", diz. Para ela, poder ajudar o próximo é o que importa. "Só há vantagem em fazer o bem", ensina. Já teve dias em que filas se formaram em frente a sua residência. "Até de Blumenau vem gente aqui", diz.


Geração em geração

Osvaldina nasceu no oeste catarinense e foi lá que, ainda muito jovem, aprendeu a benzer com sua falecida mãe, Verônica Rodrigues. Ela trabalhava na roça com a família revezando os trabalhos nas lavouras de milho e feijão e, muitas vezes, deixava a plantação para atender alguém que vinha atrás de sua bênção. Nos anos 90, já aposentada, Osvaldina se mudou para Gaspar e trouxe com ela a força de sua oração. Mas, para a bênção dar certo, Osvaldina lembra que é preciso ter fé - tanto de quem está benzendo quanto de quem procura pela ajuda. O tipo de reza e acessórios utilizados depende da dor e do problema da pessoa. Mas, basicamente, Osvaldina usa em suas orações um terço, água, linha e galhos verdes. Sua maior devoção é ao Divino Pai Eterno, Nossa Senhora Aparecida e Santa Paulina.
Hoje, Osvaldina é viúva, mas foi casada durante 61 anos com Estrogildo da Silveira, com quem teve 10 filhos. Entre eles, Salete Bortolozo e Seli da Silveira Bortolozo que estão seguindo os passos da mãe. Quando Osvaldina está muito doente e impossibilitada de benzer, as filhas - que residem bem próximo a ela - assumem as orações. "É um gesto muito bonito e precisamos levá-lo adiante. Por isso, decidimos aprender. Não nos custa nada ajudar os outros", afirma Seli.

 









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