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DEZ ANOS DEPOIS

Três deslizamentos de terra no Baú Seco

Adelaide Schmitt Bähr, 82 anos, relembra a tragédia no Baú Seco


Dona Adelaide com a filha Clarice e uma das netas/Ivan Luchtemberg/Jornal Metas

Em uma pequena casa lilás, construída no Baú Seco, em Ilhota, Adelaide Schmitt Bahr, 82 anos, reconstruiu sua vida e aprendeu a conviver com as saudades do marido, Vitório Bahr, da filha Sueli, do genro José Jaime Backmann, e dos netos Aline, Sávio e Josemar. Todos morreram na catástrofe climática, após um deslizamento de terra. "Moramos com meu irmão, em Gaspar, e depois em Luiz Alves, mas ela só chorava. Se hoje estivesse morando longe daqui, eu acho que não estaria mais conosco", afirma a filha Clarice. Adelaide voltou a morar no bairro depois que ganhou uma casa do Instituto Ressoar. Clarice mora ao lado, com as duas filhas.

Ela lembra da noite da tragédia. "Deu o estouro do gasoduto e um grande clarão abriu no céu. A mãe começou a passar mal e então nos reunimos na minha casa para rezar. Minha irmã Sueli foi até a casa dela para pegar umas velas e meu cunhado foi junto. Foi quando aconteceu o primeiro deslizamento e soterrou os filhos dela, que dormiam. Eles voltaram correndo, pedindo ajuda. Meu pai pegou uma motosserra e foi com eles até a casa, mas aí deslizou de novo e soterrou todo mundo. O Jaime estava vivo, mas só conseguimos tirá-lo pela manhã. Ele foi levado de helicóptero, mas não resiitu", conta Clarice. Como estavam isolados, a família, com a ajuda dos vizinhos, cavou duas covas no cemitério. "O que mais nos machucou foi tirá-los de um buraco, para jogá-los em outro, sem caixão, sem nada".        





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