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DEZ ANOS DEPOIS

Sertão Verde registra sete mortes


Bombeiros e voluntários trabalham na busca dos sete corpos /Ivan Luchtemberg/Jornal Metas


Naquele mesmo domingo, quando a cidade já registrava alagamentos em praticamente todos os bairros da cidade, sete pessoas perderam a vida após serem soterradas no Sertão Verde. Elas estavam em uma residência que foi "engolida" pela lama logo após o meio-dia. Entre as vítimas estavam a esposa, Débora (que estava grávida), e os filhos Elienai e Ester, de 9 e 3 anos, de André de Oliveira, além de sua sogra. As outras três pessoas também eram familiares. Em seu relato publicado no livro "A Tragédia do Morro do Bau", de José Geraldo Rodrigues de Menezes, André conta como tudo aconteceu. Logo após amanhecer, a água já tinha invadido o piso térrero da casa da família, então ele achou prudente levá-los até a residência da tia, que ficava em uma parte mais alta. Logo após o almoço, André resolveu voltar até sua casa, para retirar os móveis do andar inferior e colocá-los no andar de cima. No entanto, após se distanciar cerca de 20 metros da casa onde sua família estava abrigada, ele escutou o barulho das árvores, pedras e barro vindo abaixo. "O mar de lama cobriu a casa onde eles estavam. Gritei para saírem dali, mas não deu tempo para nada".

A situação na cidade fugiu do controle das autoridades, que já não tinham mais condições de responder aos chamados. Sendo assim, no dia 24 de novembro foi revogada a situação de emergência e decretado o estado de calamidade pública em Gaspar.

Ajuda Extra

Já com o estado de calamidade pública declarado, Gaspar, assim como outros municípios do Vale do Itajaí, tentava se organizar para reestabelecer a ordem na cidade. A esperança estava na possível ajuda que o município poderia receber da Defesa Civil estadual, mas, na verdade, o órgão também não estava preparado para dar o suporte que os municípios precisavam. Sendo assim, o jeito foi recorrer ao governo federal que enviou a Gaspar os três primeiros especialistas, coordenados pelo então capitão Luis Fernando Santos Carlos, da Defesa Civil do Rio Grande do Sul. A primeira ação foi organizar, no dia 27 de novembro, a Central de Comando, que reunia representantes das polícias Civil e Militar, bombeiros e Defesa Civil. A base foi montada no auditório da prefeitura, onde também foi instalado um radiomador, para garantir a comunicação com as regiões mais distantes. A intenção era organizar e otimizar os trabalhos. Gradativamente, os órgãos de segurança foram recebendo reforços, e a ajuda da própria comunidade.

O major Alcione Fragas, que na época comandava o Corpo de Bombeiros de Gaspar, recorda que, com a grande quantidade de chamados, a capacidade de atendimento da companhia logo ficou comprometida. "Tivemos que chamar os bombeiros militares que estavam de folga, como também os comunitários, que tinham acabado de se formar", lembra. O major também afirma que alguns empresários gasparenses emprestaram aos bombeiros caminhonetes traçadas, já que os veículos que eles tinham não conseguiam chegar a muitos lugares. "Passamos então a formar equipes para atender os casos mais graves, compostas por bombeiros, um integrante do Jeep Club e voluntários. Entretanto, em muitos locais só conseguimos chegar e fazer contato pessoal após o quinto dia de atendimento a sucessivas ocorrências". O trabalho, relembra o major, foi exaustivo e exigiu muito comprometimento da tropa. "Durante os cinco primeiros dias eu, por exemplo, consegui deitar e descansar apenas uma noite, por 45 minutos".





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