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DEZ ANOS DEPOIS

Os primeiros sinas

Uma semana antes, a escola Angélica Costa foi atingida por um deslizamento


No dia 13 de novembro, deslizamento de terra atingiu a Escola Angélica Costa, no bairro Sertão Verde /Foto: Ivan Luchtemberg/Jornal Metas

Uma semana antes do desastre climático, Gaspar já sentia os efeitos das fortes chuvas que insistiam em cair no Vale do Itajaí. Na manhã do dia 13 de novembro, um deslizamento de terra atingiu a Escola Angélica Costa, na localidade do Sertão Verde, no bairro Margem Esquerda. A terra que deslizou do morro destruiu três salas de aula e a estrutura do prédio ficou completamente prejudicada. Felizmente, as aulas no local haviam sido suspensas um dia antes, evitando mortes. Apesar da gravidade da situação, ninguém imaginou que a destruição da escola - que uma semana depois ficou totalmente soterrada - era apenas o início da tragédia. Mesmo assim, foi decretada situação de emergência na cidade.

Na Avenida da Comunidades, no Centro de Gaspar, um deslizamento de terra no morro do Samae interditou o trânsito em uma das pistas na manhã do dia 21 de novembro. Dias antes, alguns pequenos escorregamentos de terra já haviam sido registrados, porém, desta vez, a situação se agravou com a queda de algumas árvores, que atingiram um ônibus. A estas duas situações, somavam-se alguns chamados ao Corpo de Bombeiros, principalmente em relação a pequenos deslizamentos nas margens de rios e ribeirões ou terra que escorregava e atingia muros e paredes de residências.

A partir da madrugada de sábado (22), o cenário tomou contornos que ninguém poderia imaginar ou prever. O Vale do Itajaí, acostumado a enfrentar cheias e enxurradas, estava diante de uma situação totalmente atípica. Um forte estrondo, seguido de um clarão no céu, deixou os moradores desesperados. Era por volta das 2h quando aconteceu a primeira explosão do gasoduto, na BR-470, em Gaspar. A estrada se abriu no Km 41,5 da rodovia e uma residência - desocupada horas antes pela família - foi destruída pelas chamas. Na noite de domingo (23), por volta das 21h, houve uma nova explosão, desta vez no bairro Belchior Alto, na localidade conhecida como Vale da Fumaça. O barulho da explosão e o clarão no céu podiam ser vistos a quilômetros de distância.

"Ficamos olhando para o fogo a noite inteira. O barulho era tão forte que parecia que tinha uns 50 aviões sobrevoando nossa casa", recorda-se o carvoeiro Vilson Tesch, 62 anos, que reside próximo de onde ocorreu a explosão. Ele afirma que a casa ficou vibrando até 5h de segunda-feira (24). "A terra ficou toda preta em uma distância de 500 metros de onde foi a explosão", afirma. Isolados e sem acesso por terra, a família de Vilson e seus vizinhos foram resgatados apenas à tarde, por uma aeronave. Ele, porém, se recusou a deixar o local. "Eu disse para a mulher ir, mas fiquei em casa. Meu filho Ivandro também não embarcou no helicóptero", recorda. Para retirar todas as pessoas, lembra Vilson, a aeronave precisou fazer três viagens.

Durante quase um mês, Vilson e Ivandro se "desdobraram" para não parar a produção na carvoaria da família, em funcionamento até hoje. Como as estradas estavam bloqueadas por deslizamentos de terra ou simplesmente não existiam mais, ele alugou um galpão no Belchior Central, onde os veículos e compradores conseguiam chegar. "Eu e meu filho levávamos os sacos de carvão até o depósito nas costas, caminhando pelo mato". A família Tesch retornou para casa um mês depois, quando as estradas começaram a ser liberadas. Questionado se não tem medo de viver no local, Vilson diz não acreditar que a tragédia de 2008 possa se repetir. "Não acho possível aquilo acontecer de novo. Foram três meses de muita chuva". Apesar das tristes lembranças, o carvoeiro não se imagina longe do lugar onde vive há 40 anos. "Ali embaixo, teve um casal que morreu soterrado, o morro desceu e destruiu a casa. O corpo do homem foi localizado rápido, mas o da mulher dele só foi encontrado após 23 dias de buscas", recorda-se. As vítimas a quem Vilson se refere são o advogado Daniel Krause e a esposa, Maria Aparecida Freitas. 






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