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OPINIÃO

Dez anos depois

Poucas são as marcas visíveis na região afetada pela tragédia climática no Vale do Itajaí e Litoral Norte

Poucas são as marcas visíveis na região afetada pela tragédia climática no Vale do Itajaí e Litoral Norte, ocorrida em 2008. Praticamente tudo voltou ao normal - se é que se pode afirmar, com absoluta certeza, de que ainda habitamos uma região segura. Mas, enfim, com se diz no popular, a vida segue...Todavia, na medida em que se avança pelas estradas do interior de Gaspar e Ilhota, boa parte delas ainda de chão batido, o filme recomeça. Mesmo que a paisagem exuberante e verdejante esconda as cicatrizes deixadas nos morros e nos corações do povo do Vale do Itajaí, as lembranças são inevitáveis e se acentuam neste novembro de 2018, quando se completam dez anos.

Quem viveu a tragédia sabe o quanto o momento foi sofrido e desesperador. Perdeu-se aquilo que se levou uma vida inteira para construir e que se somou ao sofrimento maior da morte de pessoas queridas e amadas - 52 somente em Gaspar e Ilhota.

Numa região com histórico de enchentes e enxurradas, este poderia ter sido mais um evento climático como tantos outros que já enfrentamos ao longo do nosso quase bicentenário povoamento. Mas, definitivamente não foi. A maior tragédia climática de Santa Catarina deixou transparecer a fragilidade das nossas defesas diante da fúria da mãe natureza. A partir de 2008, foi preciso repensar tudo o que não havia sido feito - e não era pouca coisa. Hoje, com certeza, estamos bem melhor preparados para enfrentar uma situação de calamidade pública como a de 2008. Aliás, já passamos por outros eventos climáticos e o tempo de resposta foi satisfatório. A imprevisbilidade não parece ser, neste momento, o maior inimigo.

O grande inimigo é nós mesmos. A tragédia climática de 2008 foi fruto dos nossos erros, com a exploração equivocada dos recursos naturais. Tecnicamente já está comprovado que mais de 80% dos deslizamentos de terra foram provocados pela ação do homem, por meio da ocupação de áreas que deveriam ser de preservação permanente. Infelizmente, essa lição não aprendemos nestes dez anos. É preciso fazer mais, caso contrário em pouco mais de uma década não haverá condições seguras de vida em algumas regiões hoje habitáveis do Vale do Itajaí e Litoral Norte.

O alerta já foi feito por especialistas, que não veem outra saída senão a prevenção e rigidez das leis, para que os impactos da devastação sejam minimizados daqui para frente. As crianças de hoje devem ser os adultos conscientes de amanhã. Por isso, educar e reeducar são fundamentais. É urgente que se faça isso, pois a natureza não avisa e quando se manifesta cobra de maneira cruel. Que este seja um novembro de homenagens, mas também de reflexão sobre o futuro, pois é para lá que nossos filhos, netos e bisnetos caminharão.    





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