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MUDANÇA

Mario Cezar assume a Fiesc

09 Agosto 2018 09:04:30

Glauco José Côrte deixa a presidência após duas gestões

Agência RCN
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Foto: Marcos Campos/Divulgação

O industrial Mario Cezar de Aguiar assume a presidência da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) nesta sexta-feira (10), durante cerimônia que acontece na sede da entidade, em Florianópolis. A gestão é de três anos e vai até julho de 2021. A entidade terá como 1º vice-presidente Gilberto Seleme. Aguiar sucede o empresário Glauco José Côrte, que também é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e em maio foi eleito para ocupar uma das cinco vice-presidências executivas da entidade de representação nacional do setor.

Em entrevista concedida com exclusividade à Agência Adjori/SC, o novo presidente da Federação afirma que fará uma gestão de continuidade, pautada no planejamento estratégico da entidade. “Não haverá ruptura. O intuito é manter o reconhecimento que a sociedade tem da indústria catarinense”, diz ele. Aguiar também falou sobre a expectativa de crescimento do setor para 2018, que ficará abaixo do esperado, e das demandas que serão apresentadas aos candidatos que irão disputar o governo estadual e federal.

Glauco Côrte deixa a presidência da Fiesc tendo como grande marca a educação. Foi durante a sua gestão que duas expressivas inciativas foram lançadas: o Movimento Santa Catarina pela Educação e a Aliança Saúde Competitividade. "Movimento e aliança são palavras que exprimem o espírito construtivo e colaborativo que buscamos evocar nas pessoas e instituições responsáveis pelo desenvolvimento do Estado em todas as nossas ações” diz ele. 

RCN: Qual a avaliação do atual cenário industrial no Estado e no País?
Aguiar: A indústria, como qualquer outro setor produtivo, sofre com a indefinição política que o país passa. É um momento bastante difícil e os números comprovam isso. O número de pessoas desempregadas, por exemplo, é um reflexo de que a economia não vai bem. Logicamente que a indústria sofre esses reflexos. Após o impeachment houve uma certa retomada da economia, mas que logo foi prejudicada com a revelação das conversas gravadas entre o presidente e um dirigente da JBS. O país vinha também numa discussão importante sobre as reformas. Agora, essa redução do ritmo econômico se acentua. A economia como um todo perdeu força. Esperávamos um crescimento melhor nesse ano, mas parece que isso não vai acontecer.

RCN: Quais outros fatores podem ter contribuído para o desempenho abaixo do esperado?
Aguiar: Santa Catarina tem uma importante indústria do agronegócio, que teve um impacto negativo muito forte com a greve dos caminhoneiros. Em dez dias de paralisação o impacto negativo no setor produtivo catarinense chegou a 1,6 bilhão. E esses reflexos continuam para além da greve. Mas também tivemos nesse setor embargos de alguns países por diferentes razões, como, por exemplo, a operação carne fraca. Esse segmento, que é bastante complexo, sofreu muito devido a essas circunstâncias. Mas é importante destacar que a indústria catarinense é diversificada, nosso modelo é descentralizado. Temos um diferencial em relação ao restante do país. Isso ficou demonstrado num passado recente, quando crescemos praticamente quatro vezes mais que o crescimento brasileiro. Esse ano também devemos fechar com crescimento bem maior que o verificado no país, algo em torno de três vezes mais.

RCN: Considerando o segmento agroindustrial como um dos mais importantes para Santa Catarina, quais preocupações rondam o setor?
Aguiar: Há uma grande preocupação com o fornecimento de milho, que o é o principal insumo para produção de aves e de suínos. Temos uma dependência muito forte no abastecimento desse insumo que é trazido do meio-oeste brasileiro, numa distância de aproximadamente dois mil quilômetros. Isso gera um custo final bem maior do que dos nossos concorrentes e a indústria catarinense precisa ser muito eficiente para diminuir esse efeito nocivo. Um dos problemas é a capacidade de armazenagem abaixo do que é consumido. Outra questão é o modal de carga. Além da precariedade das nossas rodovias, não existe um sistema ferroviário capaz de contemplar essa demanda. 

RCN: Algumas ações de melhoria na infraestrutura do Estado dependem do apoio dos governos federal e estadual. Isso tem acontecido?
Aguiar: Santa Catarina com 1,1% do território nacional é a sexta economia do país. Porém, historicamente estamos no final da lista de retorno em investimentos do governo Federal. Por uma questão de inteligência, investir em Santa Catarina significa ter retorno imediato. Posso dizer que investir em Santa Catarina é, realmente, investimento, e nunca despesa. O Estado tem dado respostas muito rápidas e importantes para o país quando recebe recursos.

RCN: Qual área específica na infraestrutura do Estado que carece de investimentos maiores?
Aguiar: Santa Catarina tem um diferencial bastante importante. Temos aqui cinco bons portos. Não só a quantidade, mas também a eficiência dessas estruturas faz com que o Estado seja o segundo em movimentação de containers. Contudo, enquanto o desempenho dos portos é bom, todos os outros modais são muito precários. É necessário fazer um trabalho de macrologística, identificando o que já existe e o que precisa ser melhorado para que o Estado tenha realmente uma infraestrutura de transporte adequada ao potencial econômico.

RCN: Costumeiramente, em períodos eleitorais, a Fiesc elabora uma agenda de demandas do setor para apresentar aos candidatos. Quais são as pautas para esse pleito?
Aguiar: São várias questões. Uma delas é a melhoria da infraestrutura, que, sem sombra de dúvidas, é uma demanda muito forte do setor produtivo industrial. O outro ponto é o não aumento de tributos. Já há uma carga tributária bastante elevada e até entendemos que o Estado, do tamanho que está, não pode reduzir a tributação. O que a indústria defende é que pelo menos o sistema tributário seja simplificado. Outra demanda é a redução do tamanho do Estado, que hoje está 'inchado', com baixa produtividade, e isso precisa ser repensado a partir de uma discussão com a sociedade. Outro ponto é a insegurança jurídica. É preciso ter um regramento bem definido e seguro, que permita novos investimentos. 

RCN: Logo após ser eleito, o senhor falou em gestão de continuidade na Federação. O que muda e o que será mantido?
Aguiar: O planejamento estratégico da Federação vai até 2022 e está baseado em quatro pilares: ambiente institucional, educação, inovação e tecnologia e segurança e saúde do trabalhador. Inovação é algo que vai incidir sobre todas as demais áreas, e que terá um foco bastante forte. A indústria catarinense sempre foi protagonista e se assemelha muito ao modelo Industrial alemão, que é um modelo bastante competitivo. Ainda no aspecto inovação e tecnologia, o objetivo é aumentar a participação da indústria catarinense no mercado internacional. Não só aumentar as exportações como também as importações. É preciso buscar o que há de melhor no mundo para agregar valor à produção, para que seja cada vez mais competitiva.
Outro pilar, e que também foi muito forte na gestão do presidente Glauco, é a educação. Todos os países que identificaram a deficiência na educação e desenvolveram ações nessa área tiveram um desempenho bastante significativo. A resposta é muito rápida. Educação, e aí leia-se trabalhadores capacitados, aliada à uma indústria cada vez mais tecnológica, vai fazer com que o Estado se destaque ainda mais em relação aos demais.
Outro ponto é a segurança do trabalhador. Aí tem um aspecto formal, de atendimento à legislação, e a filosofia de atuação do Sesi, fazendo a gestão da segurança do trabalhador.
Seguindo o planejamento estratégico, há o pilar ambiente institucional. Ao longo do tempo, e principalmente durante a gestão do presidente Glauco, a Federação ganhou reconhecimento e respeito da sociedade. Hoje, a Fiesc é uma entidade ouvida e respeitada.

RCN: O industrial catarinense está preparado para a indústria 4.0?
Aguiar: O Estado está se preparando, e é uma preparação contínua. Mais do que isso, é uma quebra de paradigmas e um grande número de indústrias já está trabalhando dentro deste conceito. Temos na Federação ferramentas de apoio para auxiliar as empresas a entrarem nesta quarta revolução industrial. Estamos fazendo este trabalho em todo Estado. No país, uma das primeiras Federações defendeu a entrada nesse novo modelo foi a Fiesc. Além da estrutura da entidade, há diversos convênios com universidades dos Estados Unidos e da Europa tratando desse tema. Os investimentos em tecnologia são bastante significativos, mas também vão trazer resultados expressivos. É uma questão de inteligência. Se quisermos ter uma indústria competitiva não podemos ficar de fora deste processo. 

Curriculo
Mario Cezar de Aguiar é empresário do setor da construção civil, primeiro vice-presidente da Fiesc e presidente da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da entidade. Formou-se em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é especialista em construção civil pela FURB, em marketing pela Univille e em gestão empresarial pela Pensylvania State University, além de ser professor licenciado do curso de engenharia civil da Udesc. Atua na área da construção e incorporação imobiliária desde 1981. Já presidiu a Associação Empresarial e o Sinduscon, ambos de Joinville, por duas oportunidades, e a Câmara Estadual da Indústria e Construção. Também fundou e presidiu o Serviço Social da Construção Civil de Joinville (Seconci), foi conselheiro da Usimed e da Unisociesc. É conselheiro do Instituto Core e membro do Conselho do Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville.

 


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