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NO TOPO

Luciano Hang entra para a lista dos mais ricos do mundo

06 Março 2019 09:51:00

O dono da Havan aparece, pela primeira vez, no ranking anual da norte-amerciana Forbes

Alexandre Melo


Hang é o 21º brasileiro mais rico / FOTO ARQUIVO JORNAL METAS

A nova lista mundial de bilionários da norte-americana Forbes, divulgada nesta terça-feira (5), traz uma novidade para Santa Catarina: a presença do empresário dono da rede de lojas Havan, o brusquense Luciano Hang. Ele aparece na 1.057ª posição da lista mundial e na 21ª posição se considerarmos apenas os brasileiros mais ricos. Hang figura ao lado outros nomes famosos como Ermírio Pereira de Moraes, do Grupo Votorantim, José Luis Cutrale, que detém a marca de Sucos Cutrale, e José Moll Filho, da Rede D´Or São Luiz, que atua na área da medicina. A fortuna estimada do dono da Havan é de US$ 2,2 bilhões. No total, os 58 bilionários brasileiros da lista mundial possuem, juntos, US$ 179,7 bilhões, cerca de 2% mais do que no ranking de 2018.

Além de Hang, único catarinense a aparecer na lista, outros 17 brasileiros fizeram também a sua estreia: o oncologista Candido Pinheiro Koren de Lima, da Hapvida, na 1.008ª posição, com US$ 2,3 bilhões; Alceu Elias Feldmann, fundador da empresa de fertilizantes Fertipar, que estaria hoje empatado com Hang; Ricardo Villella Marino, neto do fundador do banco Itaú, na 1.349ª posição, com US$ 1,7 bilhão; Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, e Rodolfo Villela Marino (outro neto de Eudório Libânio Villela), empatados na 1.425ª posição, com US$ 1,6 bilhão cada.

Os quatro irmãos da família Feffer, da companhia de papel e celulose Suzano, também fazem parte da nova versão da lista. Daniel (vice-presidente), David (membro do conselho) e Ruben (pianista, o único que não faz parte do conselho) estão empatados na 1.511ª posição, com US$ 1,5 bilhão cada. Outro integrante do board, Jorge, aparece logo depois, em 1.605º lugar, com US$ 1,4 bilhão. Na mesma posição está Paulo Setubal Neto, filho mais velho de Olavo Setubal, que detém mais ações da Itaúsa do que seus sete irmãos.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, envolvidos com denúncias de corrupção na Operação Lava Jatto, também aparecem no rol dos mais ricos do mundo. Na lista mundial, eles ocupam a 1.717ª posição, com US$ 1,3 bilhão cada. Samuel Barata, proprietário de mais da metade da rede de drogarias DPSP, aparece em 1.818º lugar, com US$ 1,2 bilhão. Na mesma posição estão também, pela primeira vez, os irmãos Jorge Pinheiro Koren de Lima, filho mais velho de Candido Pinheiro, fundador da Hapvida, médico e CEO da companhia desde 2001, e Candido Pinheiro Koren de Lima Junior, o caçula, vice-presidente comercial e de relacionamento da empresa e membro do conselho.

Na briga pelo posto de brasileiro mais rico, Jorge Paulo Lemann perdeu a liderança, que ocupou nos últimos cinco anos, para Joseph Safra. Os bilionários inverteram as posições: com US$ 25,2 bilhões, Safra, no 31º lugar da lista global, não só é o brasileiro mais rico, mas também o banqueiro mais rico do mundo. Lemann, com US$ 22,8 bilhões e a 35ª posição do ranking global, aparece na vice-liderança entre os brasileiros. Enquanto o primeiro ganhou R$ 1,7 bilhão de um ano pra cá, o segundo viu sua fortuna encolher em US$ 5 bilhões.

A Havan

A Havan, cujo nome é a junção de Hang e Vanderlei, antigo sócio, começou suas operações oficialmente no começo dos anos 1990. Antes disso, em 1986, Hang e seu sócio tocavam uma pequena loja de tecidos e aviamentos no centro de Brusque. Em 1990, Hang vislumbrou um novo potencial de mercado com a abertura das fronteiras para produtos estrangeiros e passou a importar tecidos e artigos de baixo valor agregado. Em 1999, ele percebeu os rumos da economia com a desvalorização cambial e definiu uma nova vocação para a Havan, que a partir de então ingressava definitivamente no segmento de lojas de departamentos.

Em 2008, o empresário assumiu a restauração do antigo Castelinho de Moellmann, considerado um dos principais cartões postais de Santa Catarina e que encontrava-se em estado de abandono no centro de Blumenau. Com um investimento expressivo e sua visão mercadológica, o empresário brusquense implementou a primeira loja temática da rede, aliando passado e futuro. Em 2010, um novo marco na história da Havan com a inauguração de uma megaloja em Barra Velha, a Parada Havan, além do Centro de Distribuição Havan.

Hoje o Grupo Havan, liderado por Hang, contempla além da rede de lojas outros empreendimentos nos segmentos de geração de energia elétrica, postos de combustíveis, factoring e hotelaria. Em 2017, o grupo atingiu a marca de 100 lojas, a maioria delas em cidades de médio e pequeno porte do Brasil. O objetivo agora é chegar a 200 lojas e, segundo o próprio Hang, essa meta será alcançada em 2.022. Hoje, a Havan possui 120 lojas, sendo uma delas em Gaspar (a 108ª), inaugurada em 2018 e atualmente fechada para reformas. Nos próximos meses, Hang vai inaugurar a sua 121ª unidade, em Paranavaí, no interior do Paraná, estado com o maior número de lojas Havan.

Em 2018, as 120 lojas Havan faturaram R$ 7 bilhões. O resultado representa um crescimento de 40% nas vendas do grupo. A meta para 2019 é de atingir um faturamento de mais de R$ 10 bilhões e abrir mais de 20 lojas. Com isso, a empresa projeta passar de 16 mil colaboradores para mais de 20 mil. "Esse é o Brasil que queremos, com a geração de empregos e o crescimento da economia", repete Hang.

A política

Luciano Hang ficou ainda mais conhecido nacionalmente durante as últimas eleições, quando declarou abertamente seu voto e fez campanha, pelas redes sociais, para o então candidato à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro. Antipetista de carteirinha, o empresário ainda contratou para fazer o marketing da sua empresa celebridades alinhadas com suas ideologias, entre elas os apresentadores Carlos Massa, o Ratinho, e Celso Portioli, ambos do SBT. Durante a campanha, Hang ainda vestiu seus mais de 16 mil funcionários de verde e amarelo com a frase slogan: "O Brasil que queremos só depende de nós". Mandou ainda produzir vídeos onde ele mesmo era o personagem e disparou, junto com mensagens, pelas redes sociais. Com sua impetuosidade, sinceridade e discurso simples, Hang cooptou milhares de seguidores nas redes sociais. O empresário chamou tanto a atenção que acabou acusado, em matéria veiculada pelo Jornal Folha de São Paulo, de ter patrocinado, via redes sociais, uma campanha de difamação contra o Partido dos Trabalhadores. Hang entrou com uma ação contra o Grupo Folha, cobrando direito de resposta com base em uma lei de 2015, sancionada curiosamente pela então presidente Dilma Rousseff, do PT, que regulamentou o direito de resposta.

Antes da matéria do jornal Folha de São Paulo, o juiz Carlos Alberto Pereira de Castro, da 7ª Vara do Trabalho de Florianópolis já havia determinado que a rede de lojas Havan divulgasse em suas redes sociais um vídeo a fim de garantir que seus empregados tivessem o livre direito de escolha de candidatos nas eleições de 2018. A decisão atendeu a um pedido em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Havan. Hang se defende de todas as acusações e diz que quer apenas que os políticos deixem os empresários trabalharem. Já na sua rede social particular, ele continua "ácido" na defesa de um novo Brasil e aponta sua artilharia para a esquerda. "Ao contrário do que a esquerda prega, os empresários não são vilões. Eles sempre querem jogar a população contra os empreendedores. Para o PT, PSTU, PSOL e companhia, os donos de empresas são "vilões" e só pensam em lucrar e tirar vantagem. Esse discurso muitas vezes é reforçado pela grande mídia. Por que os empresários são malvados nas novelas? A esquerda quer que as pessoas acreditem que só o Estado é bom para população. Olhe a sua volta. Quais cidades são mais desenvolvidas? As que tem empresas ou as que dependem do poder público? Eu sempre digo que cada um de nós é um empresário. Temos que incentivar as pessoas a admirarem o empreendedorismo e a deixarem de depender do Estado e dos políticos", disparou Hang em uma mensagem publicada em sua página no Facebook nesta terça-feira (5).



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