| ASSINE | ANUNCIE
| | | |

Boa produtividade no campo

Safra. Com praticamente todo o arroz colhido em Gaspar, produtores rurais se dizem satisfeitos com os resultados


Colheita entrou na reta final em Gaspar e produtores comemoram os bons resultados e os preços praticados no mercado agrícola

Mais duas semanas e a colheita do arroz vai estar encerrada no município de Gaspar, o terceiro maior produtor do Estado. Enquanto as máquinas avançam por sobre as lavouras, os produtores vão fazendo as contas e a conclusão, até aqui, é que a safra foi boa. "O clima ajudou e a produtividade deve ficar, em média, entre 180 e 200 sacas por hectare", afirma o secretário Municipal de Agricultura e Aquicultura, André Pascoal Waltrick. Basicamente, ainda falta completar a colheita nas lavouras dos bairros Santa Terezinha (Bom Jesus), Gaspar Mirim, Barracão e Óleo Grande, que é onde o plantio ocorreu mais tarde. O produtor que optou por retardar o plantio reduziu custos de uma eventual quebra em função do clima. Em contrapartida, pode já não pegar um preço tão atrativo do produto em função do aumento da oferta e dos estoques do governo.

A região do distrito do Belchior, uma das mais fortes do município, a colheita já foi concluída e com bom resultado na produtividade, Segundo Waltrick, esta deve ser uma das melhores produtividades do cereal dos últimos anos em Gaspar. E só não será melhor por conta de um frio fora de época no mês de dezembro, justamente quando inicia a floração, a principal fase no desenvolvimento da planta. A temperatura ideal é entre 24º e 30ºC e radiação solar elevada. Não fosse essa pequena adversidade climática, a colheita em Gaspar poderia chegar a 580 mil sacas, porém, vai ficar um pouco abaixo: "520 mil sacas, o que é um resultado excelente", diz Waltrick.

De acordo com o secretário, a área de plantio do arroz em Gaspar vem diminuindo safra a safra, porém, a produtividade aumenta em função dos investimentos que os agricultores fazem em tecnologia, além da melhora genética das sementes (leia matéria na página ao lado).

O preço do produto no mercado também está ajudando. De 2020 para cá, a valorização da saca de 50kg do arroz com casca foi significativa. Em 2019/2020, a safra começou a ser colhida com o preço médio de R$ 48,00/saca; neste ano, os preços têm se mantido acima de R$ 80,00. Soma-se a isso, os estoques baixos do governo e a subida do dólar, que reduziu a importação do arroz. Em setembro do ano passado, a saca do arroz ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos R$ 100,00.

O conhecido produtor rural gasparense, Elmar Bailer, considera excepcional o resultado da sua lavoura, embora a quebra de 10% em função do frio fora de época e do excesso de chuva em janeiro. Elmar praticamente nasceu no meio da lavoura de arroz e traz no sangue da família o cultivo e a paixão pelo produto mais cultivado no mundo. Ele planta em 33 hectares em terras próprias e arrendadas. Como Elmar costuma dizer, a sua atividade é uma indústria a céu aberto, que depende muito do clima e do governo não atrapalhar. Porém, ele explica que a boa produtividade e o preço em alta apenas amenizam uma série histórica de preços em queda da saca do arroz no mercado, combinado com o aumento nos preços dos insumos, como por exemplo inseticidas e fertilizantes. Elmar calcula que o aumento dos fertilizantes - regulado pelo dólar - subiu de 30 a 40% nos últimos meses. "Os aumentos dos insumos já ocorrem há muito tempo e o preço do produto no mercado não acompanha essas altas", avalia o agricultor.

Adolar Werner, o popular Neco, está entre 260 rizicultores de Gaspar que permanecem na atividade. Ele também está satisfeito com o resultado da colheita e até um pouco surpreso com a produtividade em uma de suas áreas, localizada no bairro Santa Terezinha. No ano passado, ele colheu 110 sacas por hectare, este ano deve chegar a 170 sacas/ha. "E olha que teve um pouco frio. Neco calcula colher 3.500 sacas, que vão se somar a outras 4.500 que ele vai colher em terras arrendadas no Arraial e Morro Grande. Neco é um produtor rural otimista, que gosta do que faz. "Nunca fiz outra coisa na vida, sempre trabalhei na lavoura, a gente acaba se acostumando com essa lida", afirma. O produtor rural diz que a agricultura é sempre imprevisível por causa do clima, mas neste ano ele só tem a agradecer a Deus pelo clima. "Em outras safras já peguei até chuva de pedra, que praticamente acabou com a minha lavoura, mas este ano estou contente, só tenho a agradecer". Neco só se queixa do preço dos insumos que sobem mais que o da saca do arroz no mercado. "Areia, adubo, fertilizante, tudo sobe e não retorna mais ao preço anterior, o produtor precisa colocar isto na conta da produção".

Já a partir de março, os produtores começam a plantar a ressoca, a chamada segunda colheita do arroz que brota na mesma área. De geração em geração, a rizicultura vai se mantendo viva em Gaspar, embora o número de produtores tenha reduzido bastante. De acordo com secretário Waltrick, Gaspar já teve 780 famílias vivendo da rizicultura, hoje não chega a 300. Waltrick explica que a Prefeitura de Gaspar tem feito a sua parte para tentar ajudar os rizicultores a reduzirem custos. Uma das medidas é o transporte do maquinário, além de ceder máquinas para o serviço pré-plantio e o transporte das colheitadeiras dos produtores, o que é amparado por lei. De acordo com o secretário, hoje são 58 máquinas colheitadeiras e plantadeiras nas propriedades rurais de Gaspar.

Lançamento oficial de cultivar

Embora o Vale do Itajaí esteja na reta final, o Governo do Estado abriu a oficialmente a colheita do grão no último dia 19, durante lançamento de um novo cultivar: SCS 125 da Epagri. A semente foi apresentada aos produtores em um Dia de Campo da Cooperativa Regional Agropecuária Vale do Itajaí (Cravil), em Rio do Sul. Esteve presente o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva. O evento também fez parte dos 50 anos da Cravil, empresa que tem filial em Gaspar.

"A abertura da colheita do arroz representa um marco para o agronegócio catarinense, um dia a ser celebrado. É o resultado de um trabalho coletivo que envolve produtores rurais, cooperativas, Governo do Estado e nossos técnicos e pesquisadores da Epagri. Comemoramos ainda o lançamento de um novo cultivar de arroz irrigado com características de alto índice de produtividade, que foram observadas já nas primeiras colheitas. Isso demonstra que o setor produtivo vem inovando, buscando novas tecnologias e aumentando cada vez mais a qualidade e produtividade em nossas lavouras", destaca o secretário Altair Silva.

O SCS 125 é 33º cultivar lançado em Santa Catarina e foi desenvolvido pela Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI) - referência nacional em pesquisa pública com o grão. Entre as principais características deste arroz estão o alto potencial produtivo, boa qualidade de grãos, ciclo longo (tardio), resistência ao acamamento e bom nível de sanidade geral. Segundo a presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, o lançamento é mais uma prova da excelência catarinense nas pesquisas voltadas à cadeia produtiva de arroz. "Tanto esse, quanto nossos outros cultivares do grão, foram desenvolvidos pensando nas necessidades dos rizicultores catarinenses e buscam oferecer mais produtividade e sustentabilidade nas lavouras. O resultado desse trabalho se vê no campo, com Santa Catarina se firmando cada vez mais como um dos maiores produtores de arroz do Brasil", declara.

O engenheiro agrônomo da Agrogiusti, Edivani E. Coelho, já começou a plantar o SCS125 nos campos da empresa produtora de sementes de arroz e os resultados são promissores. A sanidade é um dos destaques. De acordo com ele, mesmo com condições climáticas favoráveis ao surgimento de doenças, com dias nublados e chuvosos, o material manteve a qualidade em relação a outros cultivares produzidos na empresa. "A avaliação do desempenho do cultivar até o momento é muito boa, estamos muito satisfeitos, a expectativa é boa com relação à produtividade, sanidade e qualidade da semente", relata.


Ano Valores em Toneladas

2015 / 2016 1 . 026. 633

2016 / 2017 1 176 . 235

2017 / 2018 2 . 046 . 000

2018 / 2019 2 . 758 . 000

2019 / 2020 1 . 100 . 000

2021 / 2021 1 . 018 . 000* (previsão)

Safra de arroz em Santa Catarina




Segundo produtor nacional de arroz irrigado, Santa Catarina espera colher 1,18 milhão de toneladas de arroz nesta safra em 7,9 mil hectares plantados.O arroz se tornou ainda um importante item na pauta de exportações catarinense. Em 2020, os embarques aumentaram mais de 600% em relação ao ano anterior, totalizando US$20,4 milhões em faturamento e 48,2 mil toneladas vendidas. Os principais compradores do arroz produzido no estado foram África do Sul, Guatemala e Senegal.


LEIA TAMBÉM



JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |