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COLUNA
Por André Soltau | editora@tracosecapturas.com

Invisíveis

Sim, de perto ninguém é normal. Temos as neuras, crises, raivas, medos .. afinal humanos é o que somos. Falhos e imperfeitos. Ainda bem!

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Foto: Divulgação

Na vida em sociedade construímos fronteiras ou para nos protegermos ou porque estamos amortizados diante dos mesmos quadros sociais vistos nas ruas da cidade. São dessas fronteiras que emanam preconceitos, intolerância, desigualdades ou violências que não aceitam sexualidade, origens culturais ou posições sociais. O artigo primeiro da Constituição do Brasil aponta que um dos fundamentos em nosso país é o de garantir a dignidade humana. Mas várias são as origens da invisibilidade social. Podem ser sociais, culturais, econômicas ou (pasmem) estéticas.

Acredito que vejo no mundo exatamente o que sou. O modo como trato, vejo e me relaciono com o outro é efeito do modo com que penso o mundo. Portanto o outro sou eu mesmo. Ele é a representação do que eu realmente sinto e penso sem máscaras sociais. Então... Como explico números assustadores no país quando uma verdadeira massa de invisíveis sociais perpetuam-se por anos? 
 
Naquilo que chamamos - e muitos confiam cegamente - de globalização, um dos únicos modos de sermos vistos e nos transformamos em algo-alguém-cidadão é comprar. Sim, comprar. Sermos consumidores em potencial para sermos visíveis.
Não posso deixar de lembrar aos leitores - humanamente possíveis ainda - que naturalizamos tudo. Das dores no corpo - acostumamos com elas - às duras realidades ou revés das vidas. Olhamos e não vemos mais. Passamos diariamente por invisíveis e não enxergamos mais. Naturalizamos o fato de que uns tem e outros não. 
 
Precisamos de óculos? Não, claro que não. 
Precisamos olhar para dentro. Sim. Para o que sinto ou não sinto.
Pessoas que exercem profissões desprovida de glamour são invisíveis. “Se não estudar menino irá virar lixeiro”. O que seria de nossas cidades 
 
sem eles? Sabemos quanto de lixo a nossa casa produz?
Quantos de nós sabem o nome da faxineira do prédio em que moramos? Da varredoura da praça em que sentamos ao sol? Do funcionário encarregado de juntar resíduos nas praças de alimentação em shoppings? Quantos bons dias você deu ao porteiro do prédio onde mora? Ou um “obrigado” singelo ao garçom que serve seu prato?  O que não é reconhecido não é visto.
 
Seres humanos passam diariamente por outros seres humanos. Não é um poste afinal. Olhos se modificam, movimentos ficam distintos, a atenção é afetada. O que um humanos dispensa ao outro é diferente de um objeto. Por que então há invisibilidade social tão grande? É simbólico. Como?
 
Primeiramente a invisibilidade é resultado de um fenômeno crônico em nossa história. Quem cozinhou para o herói que está nos livros? Quem abriu portas ou lavou as roupas da rainha? Quem levantou castelos para nobres reconhecidos por seus feitos heroicos?  É, portanto, uma violência simbólica.
 
E sem segundo lugar,  humanos são reduzidos e tratados como objetos. “Onde pago?” “Quem limpa?” “Por que está sujo” ?  “Quem pega o ticket?” São máquinas e não seres pulsantes?
 
Silencioso é o ato. 
 
Finalizo com Guimarães Rosa. Sempre pontual e poético em uma só frase. “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam”. 
Que os olhos sejam sensíveis e os atos sentidos em nossos aprendizados de vida. O tempo é senhor de sonhos também.

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