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COLUNA
Por André Soltau | editora@tracosecapturas.com

Experimento, logo existo

Para Daniel, Sandra, Marcelo, Andréa e Natália 

Sempre suspeito de soluções prontas. Como imaginar formas estéticas e prontas? Não se vive a vida com enquadramentos. Vive-se cada instante, enquanto ele durar e a experiência é sempre única, em lugares singulares, com pessoas inteiras ( e únicas). 

Viver é arriscado e sempre pede uma dose - pequenina ou grandona - de improviso. Arriscar em formas e conteúdo é parte da trajetória de cada um, sempre olhando lá bem longe onde há algo latente e pulsante. E assim vivemos a verdadeira experiência de viver. Experimentando, ousando, criando, sem medo do abismo em que a criação exige que habitemos.

Sempre curioso com as palavras fui buscar suas origens. Do latim experientia. E descobri que pode ser traduzida como o ato de aprender além das fronteiras. Experimentar é a soma de ex (fora), peri (limite) e entia ( conhecer, aprender). Experimentar! Como viver em um país que demoniza a arte fazendo arte? Respondo: experimentar na linha. Esse limite que separa aqueles que produzem bens materiais daqueles que produzem bens simbólicos.

E nem toda a palavra está explicada em dicionários vazios de sentidos e inundados de explicações. Experimentar é o que nos resta para sentir que somos verdadeiramente humanos. Para crescer, é preciso experimentar um novo sabor, um outro lugar, um outro ritmo, uma dança, uma língua nova, romper um limite que te incomoda para sentirmos o pulso que ainda pulsa.

Então conto a vocês: Levei uns quarenta anos para assumir que escrevo. Que gosto de palavras novas. Que sou curiosíssimo com outros modos de dizer o mesmo. Que me divirto com sotaques ou expressões populares. Que a palavra me inunda de tal forma que a vida ganha cores quando uso meu tempo pensando em um texto como esse que leem agora. Por que tanto tempo? Fui levado - desde a mais tenra idade - a crer que carteiras assinadas, benefícios sociais eram a única solução para um menino pobre nascido na periferia de uma cidade lá no fim do país. Abandonei, ano após ano esse prazer que sinto com as palavras.

Resultado: a vida um dia cobrou.

Quando falo que suspeito de formas prontas é porque são elas que limitam e só há libertação quando as quebramos. Caso contrário, viramos mercadoria com valor de troca. Não há radicalismos nessas afirmações e sim uma possibilidade em vermos a vida como um lampejo de criação sem limites.

Quero sempre ir além da linha. Eu quero voar, quero sorrir, quero chorar, quero dançar, quero dormir, quero viajar, quero ser o que eu desejar ser sem preocupações no que vai dar. Sei que vocês podem não acreditar no que digo e soar um tanto autoajuda, mas para hoje são as palavras que ouço de minha alma.

Longa vida à experimentação.

Fica a dica: 

Exposição e Catálogo - Cia. Experimentus 20 Anos no Sesc Itajaí até o dia 4 de outubro




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