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COLUNA
Por André Soltau | editora@tracosecapturas.com

Eu e a chuva

?Mudei para o vale no começo dos anos 90 e minhas percepções sobre a previsão do tempo mudou já no primeiro ano?

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Foto: Divulgação

Lembro que dias de chuva eram felizes. Barulho na lata de zinco embalando o sono e minha mãe corria para encher a casa de latas ou panelas acertando o ping-ping da goteira. Mudei para o vale no começo dos anos 90 e minhas percepções sobre a previsão do tempo mudou já no primeiro ano.  Enfrentava a primeira enchente. 

Fiquei ilhado por alguns dias. Sem água e comida minguada. Lembro de cenas no supermercado quando pessoas disputavam velas e garrafas com água. Eu - vivendo primeiras experiências com águas violentas - não me contive em desesperos.

Minha percepção de chuvas mudou abruptamente. E, claro, comecei a olhar em volta a geografia do vale, os destinos que dávamos ao lixo nosso de cada dia, empresas que jogavam borrões coloridos nos ribeirões, casas e prédios construídos onde o rio deveria dar vasão, etc etc etc. Não sou um biólogo ambientalista, mas basta olharmos a cidade e vemos que tanto pode ser evitado. 

Uso constantemente desse espaço para falar em excessos de consumo e o lixo produzido. Já falei em egos humanos e suas pretenciosas ações que olham para seus umbigos e nada mais. Falei em destruição de memórias e efêmeros interesses que mudam na próxima estação. Qual a relação desses assuntos com as chuvas que chegam e aumentam a aflição dos moradores no vale?  

Quando sou assaltado pela sua deslumbrante paisagem, fico também observando que o ribeirão fornece água às plantações e recebe os dejetos dos mesmos que o usam como benefício para suas vida. Quem, em sã consciência, usa para o bem e destrói logo depois?

Sou encantado com as correntes dos rios que cortam o vale. Seus movimentos que levam vida por onde passam. Chegam nas cidades e mudam de cores. Quem pinta o ribeirão de azul, verde ou em cores indefinidas de esgotos ou lixo que boia?  Humanos, demasiadamente produtores de restos consumistas.

Há um discurso recorrente que insiste na ideia de que só estamos bem se a economia vai bem. Diante de crises ouço o conselho de administradores e economistas que devemos ir às compras.  Às compras? Não devemos olhar para a educação que diga às crianças: Parem! 

Compre o que te é útil e não o que te faz fútil!  Ou para a saúde que recebe diariamente pessoas que cultivam hábitos alimentares ou sedentários?  

Chuvas. A previsão dessa semana é muita chuva. Diante de palavras acima ainda provoco meus pensamentos para o trânsito caótico em dias comuns. E com chuva? Muito pior. Mas afinal, o que isso tem a ver com cuidados com o meio ambiente? Por que tanto carro? E os transportes coletivos funcionam?  Quais as políticas públicas que demostram força suficiente para gerir transportes coletivos de qualidade a ponto de reduzir os carros nas ruas? 

Somos pretenciosos as vezes em conversas quando comparamos “erros culturais” de nosso país com a cultura de europeus. Tirando o fato de que temos apenas quinhentos e poucos anos de construção da nação, só olhamos o que nos interessa.  Sabemos que países do velho mundo aboliram carros e priorizam transportes públicos ou redes de ciclovias. Aqui somos agressivos no transito com os ciclistas.  

Chuvas. Meio ambiente. Consumo. Destruição de fontes de água. Caos no trânsito. Excessos de lixo. Uso inadequado de águas. Tudo interligado por uma questão só: bom senso.

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