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Ideias (nem tanto) infantis

25 Novembro 2014 17:50:52

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Foto: Divulgação

Algo difícil? Atingir a simplicidade. Não é de hoje que a cultura do lado de cá do mundo naturalizou o fato de que crianças devem aprender sobre a vida lá na escola. Respostas fantásticas para perguntas que intrigam adultos não estão em lições de escola. 

Sim, a criança atinge - e com espontaneidade - a simplicidade nas respostas. Pablo Picasso um dia falou que “levou anos para pintar como Raphael, mas a vida toda para pintar como uma criança”.  Em se tratando de respostas rápidas e inteligentes, elas são experts. 
 
Dois trabalhos me chamaram atenção quando resolvi escrever essa crônica. O primeiro é do escritor brasileiro Pedro Bloch. Em seu livro Dicionário de Humor Infantil selecionou definições que dificilmente um adulto poderia dizer.  Noutro, o professor colombiano Javier Naranjo que passou dez anos coletando definições de seus alunos e deixou em registro mais de 500 definições infantis sobre o mundo no livro Casa das Estrelas: o Universo Contado pelas Crianças.
Deles, retirei algumas dessas ideias (nem tanto) infantis para conversarmos sobre cultura ocidental e a infância.
 
Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma.
Adulto: é uma pessoa que não entende de chuva, criança ou bala.
 
Não deu para caminhar na grama molhada de chuva com meus filhos. Deixei de ouvi-los quando contavam seus dias cheios de aventuras ou não me lambuzei de chocolate quando ele também aparecia com as bochechas melecadas. 
 
Eu adulto e os entediantes mundos criados pela racionalidade. Achei tempo para longos jogos de futebol na televisão ou tediosas reuniões com amigos. Mas para assistir um filme no cinema, comer pipoca e rir com meu filho de tolices nunca sobrou tempo. 
Criança vê, criança faz. Assim que aprende a ser tenso, propenso à doenças psicológicas ou escravo de horas e necessidades nem tão necessárias. Mas o sistema é esse. Ou faz ou fica para trás. Correr atrás de grana. Afinal tempo é dinheiro. 
 
Como diria o poeta Manoel de Barros: 
 
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. 
Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. 
 
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Poderoso e rico é aquele que usa o que tem. Feliz é aquele que encontra importância naquilo que 
é insignificante para a maioria. A simplicidade é a mais dura das conquistas.
 
Criança é uma coisa que serve para fazer um adulto.
Criança é uma coisa que você elogia no dia das crianças. Passou esse dia, a criança vira abstrato.
 
Aprendi com os filhos muito mais do que posso descrever aqui. O trabalho é a principal atividade do ser humano? Responderia afirmativamente alguns anos atrás. Hoje duvido. Somos humanos do século XXI com todas as facilidade tecnológicas e o trabalho ocupa nossos dias com uma intensidade que nos convence de que é a primeira e maior necessidade humana. 
 
Crianças me ensinaram à sentir o mundo das coisas simples. Velhos me ensinam a olhar com serenidade. Ambos não produzem no maluco mercado de trabalho. Encontro aqui duas dimensões humanas que se complementam: Faber (trabalho) e Ludens ( Brinquedo). Sou humano porque uso de meus sentidos para entender o mundo. Produzir e brincar estimulam todos os órgãos do sentido. Tenho provocado em meus atos a serenidade para ver o mundo das coisas simples.  Por que? Adoeci tentando entender as coisas “importantes” e a língua do consumo. Adoeci com a falta de mim.
Cultura é uma lente por onde olhamos o mundo. Cultura é aprendizado. Crianças devem sim servir para fazer adultos mais serenos, menos tensos, mais alegres.....
Quem sabe seria essa a solução para o trânsito caótico, a política falaciosa, a violência urbana, o preconceito... quem sabe!?

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