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A vida é breve. A arte é longa

Como não pausar o pensamento diante de intrigantes frases?

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Foto: Divulgação

Dita pelo pai da medicina Hipócrates (460 - 377 a.C) o aforisma me pareceu adequado à primeira semana do ano. Foi dito por um médico e sua intensa luta entre pulso e estagnação, mas também por imortalizar a arte e deixar à vida o fim inevitável para todos. Longe de aproximar a minha escrita dos tantos livros de autoajuda que circulam por aí. Não mesmo! 

Mas esses dois temas tem provocado alguns pensamentos que dialogam com algo maior do que o mundinho cultivado por cada um de nós. Afinal, vida e desejo são constantes em nosso cotidiano. Tanto que confundimos vida com balada, movimento constante e bebedeira. E o desejo? Ahhh sempre profano no sexo e consumista no cartão de crédito.

Entre ocidentais, a morte é o final de uma vida e ponto final. Desejo é uma constante e frenética busca. Em muitos povos orientais, a morte é o começo de um novo ciclo. E o desejo é origem de sofrimentos.Uma coisa é certa: nada é para sempre. Mesmo a arte que - nas palavras de Hipócrates - é longa, poderá perder o sentido quando mudar o seu tempo. Mas como andamos com nossos pedidos? Quais são os grandes desejos para o ano?  
 
Eu imagino que - como tantos - você leitor tenha feito uma série de pedidos na passagem do ano. Acredite! Seus desejos vão se tornar realidade. A pergunta é: Será que você vai conseguir reconhecer isso?
 
Nós só conseguimos enxergar aquilo que podemos compreender. Olho mas não vejo. Escuto mas não ouço. Falo mas não digo nada. E por aí vamos levando a vida, insensíveis com a possibilidade em nossas portas. Sempre ela está longe, no horizonte que não existe. Desejo o que está lá. Nunca perto.
 
Em tempo tão voltado para coisas sem nenhuma importância em que tudo - realmente tudo - transforma-se em produto será que consigo ver as possibilidades que me são oferecidas para realizar os desejos?
 
Ou em um estalar de dedos terá dinheiro, família unida, novo emprego, novo amor?  Se espera um milagre, seja você o milagre (Roubei a frase de Morgan Freeman encarnando um Deus humanamente possível no filme O Todo Poderoso - Direção Tom Shadyac. 2003)
 
Esperamos que a economia melhore e o novo governo resolva oferecer oportunidades para que melhoremos de vida. Esperamos que o deputado eleito aprove leis que melhorem nossa qualidade de vida. Esperamos que habitantes dos céus nos permitam a graça de vivermos bem. Delegamos à uma força suprema humana ou divina para nos frustrarmos logo depois.
 
Vivemos o futuro e relegamos o presente ao consumo, deuses imaginários, desejos antropofágicos e doenças da memória. Permitimos que a neurótica vida do mercado financeiro envolva-nos de compromissos à ponto de nosso corpo padecer em estresse, síndromes e pânicos. Os remédios faixa preta estão em alta no horizonte de desejos infindos e seres cansados. O futuro não existe e insistimos em viver lá.
 
Sim a vida é breve. A arte é longa. Finita é a vida e “a arte é o que resiste. Ela resiste à morte, à servidão, á infâmia, à vergonha” diz o filósofo Deleuze. 
Cuidado com o pede e deseja, pode acontecer. A arte da vida simples pode fazer nossos desejos se realizarem. É dentro de ti que o ano novo desenha novos caminhos. Peça e fique atento aos sinais.
 
P.s.: o cronista aqui não usou palavras de efeito para fazer bonito. Como humano, padece dos mesmos erros mortais. Luta em trincheiras que - nem sempre - o protege de mediocridades, tolices e promessas não cumpridas.

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